O mercado financeiro mundial já tinha como precificada a vitória de Hillary nas eleições à presidência dos EUA. O resultado adverso e a chegada de Trump à Casa Branca certamente causará desconforto, desconfiança e instabilidade tanto global quanto local no curto prazo, com um possível cenário de turbulência afetando o caminho de recuperação da economia doméstica. Contudo, a eleição de Trump está muito longe de se configurar como uma ameaça concreta e direta na relação comercial e institucional entre Brasil e Estados Unidos. Isso porque a América Latina, como um todo, e o Brasil, em especial, não estão no radar de nenhuma medida radical ou polêmica do novo governo americano. Nesse sentido, o Brasil não é, por hora, visto como uma ameaça que mereça atenção, nem como um parceiro estratégico que os Estados Unidos devam investir. Além disso, o fato de a economia brasileira ser significativamente diversificada e ter parcerias mundiais amplas garante que o país não deverá sofrer efeitos diretos em virtude da definição do nome de Trump como o novo presidente americano.

Em seu discurso de vitória, Trump mencionou a necessidade de conciliação do país e de criação de novas oportunidades para a parcela da população que ficou à margem do crescimento econômico recente. Além disso, se mostrou disposto a trabalhar a favor do comércio internacional com os países que se dispuserem ao diálogo harmônico com os Estados Unidos. Trump deverá tomar posse no dia 20 de janeiro e até lá deveremos ter maior clareza sobre os rumos políticos e econômicos que seu governo pretende seguir, com especial atenção ao comércio internacional, políticas migratórias e perspectivas de estímulo fiscal.

Destacamos ainda que a proposta de trabalho de Trump sobre política econômica foi relativamente vaga e esquivou-se de apontar medidas a ações que serão efetivamente tomadas. Assim, somente será possível ter maior clareza do que se esperar da nova estratégia econômica americana a partir de janeiro. Até lá, os mercados devem ficar nervosos por falta de transparência e informação. E muito provavelmente somente quando ele se sentar na cadeira do salão oval, Trump sentirá na pele a reação dos mercados, do Congresso, dos demais presidentes, dos estrangeiros que moram nos EUA e das empresas sobre tudo o que ele falar e se propor a fazer. Aí provavelmente o tom de voz marqueteiro e agressivo de sua campanha deverá ser amansado.

trump

 

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