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Vendas no varejo em fevereiro surpreendem e sobem 1,1%, mas resultado não muda perspectiva de um ano sombrio para o setor

Entre os meses de janeiro para fevereiro de 2022, o volume de vendas do varejo restrito cresceu 1,1%, com ajuste sazonal, de acordo com dados do IBGE. Frente igual mês de 2021, a alta foi de 1,3%. O dado foi bem acima do esperado pelo consenso de mercado, que projetava elevação de 0,1%, e um pouco acima da projeção da REAG, que era de 0,9%. Em geral, os economistas erraram na mão ao projetar o desempenho no segmento de “combustíveis e lubrificantes” que subiu 5,3% em fevereiro, na margem.

 

O setor restrito (sem considerar os segmentos automotivo e de material para construção) está 1,2% acima do patamar pré-pandemia e 4,9% abaixo do pico da série (outubro de 2020). No ano, o varejo acumula variação negativa de 0,1%. Já nos últimos 12 meses, cresceu 1,7%. A alta de janeiro, também na margem, foi revisada de 0,8% para 2,1%.

Seis das oito atividades investigadas tiveram taxas positivas: livros, jornais, revistas e papelaria (18,5%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (9,4%), tecidos, vestuário e calçados (8,0%), hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,0%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,0%) e combustíveis e lubrificantes (0,1%). Já equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-7,2%) e móveis e eletrodomésticos (-12,6%) registraram queda.

 

No comércio varejista ampliado (que inclui as vendas dos segmentos de material para construção e automotivo), o crescimento de 2,0% no volume de vendas, em fevereiro, foi influenciado pela taxa positiva de veículos, motos, partes e peças (5,2%). Material de construção teve variação negativa de -0,4%.

Apesar de o desempenho do setor varejista ter surpreendido positivamente, com o segundo mês consecutivo de leituras positivas, na visão da REAG isso não muda as perspectivas negativas para o varejo neste ano, que deve ainda absorver os efeitos adversos da perda de poder aquisitivo das famílias por conta da inflação e do desemprego, além das consequências advindas da alta de juros. Entendemos que o resultado positivo de fevereiro não significa tendência para o ano. O bom resultado no segmento automotivo é em grande parte recomposição da perda de 6,6% em janeiro, na margem. E as vendas de combustíveis e lubrificantes refletem de alguma maneira o suspiro temporário da inflação em fevereiro, mas que deve voltar a pressionar os preços em março. Acreditamos que o varejo deve sentir as dores da inflação e perspectiva de alta maior de juros a partir do segundo trimestre. A REAG mantém sua projeção de crescimento do PIB de 0,3% para o primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, com ajuste sazonal. Para o ano, a projeção é de alta de 0,2%.

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