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Tímida alta nas vendas do varejo em abril ainda é pouco para indicar retomada

A ligeira alta nas vendas do varejo em abril ainda não é suficiente para trazer os indicadores do comércio para uma trajetória mais sustentável. O varejo restrito (que exclui o comércio de automóveis e material para construção) registrou crescimento de apenas 0,5% em abril contra março na série livre de influências sazonais, segundo dados divulgados pelo IBGE. O setor havia registrado uma queda marginal de 0,9% no mês anterior. O resultado de abril, portanto, não reverte a perda anterior, mas representa apenas um movimento de compensação parcial, o qual corresponde a um saldo negativo de 0,4 ponto percentual na margem.

VENDAS VAREJO ABRIL 2016 GRAFICO

Com os juros nas alturas, a inflação corroendo o poder de compra das famílias e o desemprego deteriorando o mercado de trabalho, com queda real da renda dos trabalhadores, as vendas no varejo caíram 6,7% em abril em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado é o pior para o mês em toda a série histórica da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada IBGE. No acumulado do ano e em 12 meses, as quedas foram de 6,9% e de 6,1%, respectivamente, também as maiores já registradas nas duas bases de comparação.

Observa-se ainda que as vendas do varejo mantêm trajetória de queda na maior parte das atividades (tabela 1).VENDAS VAREJO ABRIL 2016 TABELA 1

O cenário é ainda pior quando se considera o varejo ampliado, que inclui os segmentos automotivo e de materiais de construção. Em abril, as vendas tiveram queda de 1,4% frente a março deste ano e recuaram 9,1% comparativamente ao mesmo mês do ano passado, na 23ª queda mensal consecutiva por essa análise. No acumulado do ano e em 12 meses, os tombos são de 9,3% e 9,7%, respectivamente.

Para este ano, as projeções da REAG apontam que os indicadores do mercado de trabalho continuarão a se deteriorar com a taxa de desemprego devendo atingir o patamar dos 11% (PNAD), enquanto o rendimento médio real do trabalho poderá ficar até 3% menor do que valor no ano anterior. Avaliamos que o desempenho do varejo em 2016 deverá seguir bastante retraído, apesar de menos intenso que em 2015. Na comparação anual, a REAG estima que as vendas do varejo em 2016 recuem 4%.

 

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