Super-Quarta: Fed dá uma pausa e Copom corta Selic para 4,5%

Na última “Super-Quarta” do ano, dia em que os Estados Unidos e do Brasil renovam as metas de suas respectivas taxas de juros, o pronunciamento das autoridades monetárias sinalizam manutenção desses pisos para o início de 2020, mas ainda sem pistas claras sobre os próximos passos da política monetária no Brasil. A Selic foi reduzida de 5% para 4,5% e os juros americanos se mantiveram no atual intervalo entre 1,5% e 1,75%.

No Brasil, ainda paira a dúvida se a taxa Selic poderá chegar em 4% no próximo ano, já que analistas têm apontado os juros baixos como o principal componente para a valorização do dólar frente ao real. Um dos principais argumentos que sustentam essa tese é a menor atratividade dos títulos públicos brasileiros, que se tornaram menos rentáveis com a queda dos juros. Com isso, muitos investidores estrangeiros acabam migrando para outros países emergentes com bônus maiores sobre os investimentos. Em contrapartida, há também os sinais de retomada econômica, confirmados pelo PIB/3TRI, que reforçam a ideia de que o Copom já pode parar por aqui, dispensando um último ajuste da Selic na primeira reunião do ano que vem.

A REAG admite o fim do ciclo, enquanto analistas mais otimistas ainda resistem e se arriscam a projetar a Selic em 4,25% em fevereiro. O corte de mais 250 basis points (b.p.) se sustenta no repique do IPCA e responde às pressões temporárias (proteína animal mais cara), que as expectativas inflacionárias continuam ancoradas e que o dólar será contido pela volta do fluxo externo. De qualquer forma, não descartamos os riscos do cenário externo, com a novela da trade war podendo ter novos capítulos até a hora do Copom.

Enquanto isso, o Banco Central dos Estados Unidos encerrou o ciclo de afrouxamento monetário, na sua última reunião do ano. O Fed indicou que os juros permanecerão inalterados indefinidamente, com expectativa de que crescimento econômico moderado e o baixo desemprego continuem até as eleições presidenciais do próximo ano.

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