As vendas do comércio varejista brasileiro caíram 4,5% em março na comparação com março do ano anterior, interrompendo uma sequência de 7 sete meses de alta nesta base de comparação. Foi também a variação negativa mais acentuada desde dezembro de 2016 (-4,9%), segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. Segundo o Instituto, a queda nesta base de comparação foi pressionada significativamente pelo efeito calendário do carnaval, uma vez que março deste ano teve menos dias úteis, e a Páscoa este ano caiu em abril, o que impactou diretamente a atividade varejista de supermercados e hipermercados, a qual tem peso de quase 50% no indicador. Concomitantemente a esse fator, a REAG aponta que a perda de força da recuperação da atividade varejista tem sido provocada, majoritariamente, pela queda da confiança e o elevado nível de desemprego.

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Na comparação contra fevereiro último, as vendas no varejo registraram, contudo, tímida elevação de apenas 0,3%, confirmando um ritmo mais fraco da economia brasileira neste começo de ano. Esse foi o resultado mais fraco para o mês de março em dois anos e ficou abaixo da expectativa do consenso de mercado (entre 0,8% e 1%). No acumulado no ano, a alta ficou em 0,3%. Em 12 meses, as vendas do varejo desaceleraram para 1,3%, ante 2,3% em fevereiro, mantendo trajetória decrescente verificada desde agosto de 2018 e confirmando a perda de força da recuperação do setor. No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, houve aumento de 1,1% das vendas em março sobre o mês anterior, com crescimento de 4,5% entre Veículos e motos, partes e peças e de 2,1% de Material de construção.

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A recuperação do setor, assim como a do restante da economia brasileira, segue em ritmo lento, com um nível de consumo ainda bem abaixo do período pré-recessão. Os primeiros meses do ano têm sido marcados por uma perda de força da recuperação econômica em meio a uma frustração de expectativas de empresários e percepção de que a tramitação da reforma da Previdência deverá levar mais tempo do que o inicialmente esperado. Uma série de indicadores têm mostrado uma perda de ritmo da economia e uma maior fraqueza da atividade econômica e do mercado de trabalho. A produção industrial, por exemplo, caiu 1,3% em março, pior resultado desde setembro, e acumulou queda de 0,7% no 1º trimestre, na comparação com o 4º trimestre de 2018. Já a taxa de desemprego subiu para 12,7% em março, atingindo 13,4 milhões de brasileiros.

As estimativas para o crescimento do PIB em 2019 também vêm sendo reduzidas. De acordo com a última pesquisa Focus do Banco Central, os economistas dos bancos reduziram novamente a estimativa de alta do PIB e, pela primeira vez, passaram a estimar crescimento abaixo da marca de 1,5% para este ano, após alta de 1,1% em 2018 e em 2017. A REAG também revisou para baixo sua projeção de crescimento do PIB em 2019- que no início do ano estava em 2% – para algo entre 1,5% e 1,8%, assim como prevê que o varejo será de 2,6% para o segmento restrito e de 3% para o índice ampliado.

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