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Selic vai para 12,75%, a décima alta consecutiva, com perspectiva de nova adição em junho em menor magnitude

Pela décima vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu pelo aumento da taxa básica de juros no Brasil. A Selic foi elevada em 100 basis points, passando de 11,75% para 12,75%, em um ritmo menor do que as três decisões anteriores, que subiram a taxa em 150 bps os, até que se chegasse aos 11,75% a.a. da reunião de março. A decisão do colegiado em maio levou a Selic ao maior patamar desde janeiro de 2017, quando estava em 13% ao ano.

O novo aumento no juro básico da economia era plenamente esperado pelo mercado financeiro, com base em indicações do próprio Banco Central. No encontro anterior do Copom, em março, o BC informou que promoveria nova alta de um ponto percentual. Pressionado principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis, o IPCA-15 — considerado uma prévia da inflação oficial do país — ficou em 1,73% em abril. Em 12 meses, atingiu a marca dos 12%. Com alta de 7,51%, a gasolina foi a principal responsável pela alta da inflação na prévia de abril. Houve altas acentuadas também do diesel, do etanol e do gás veicular, levando a alta dos transportes a 3,43% na prévia do mês. Os preços dos alimentos e bebidas aumentaram 2,25% na prévia de abril, puxados por produtos consumidos dentro de casa.

A escalada dos juros é a resposta do Banco Central à inflação elevada, persistente e disseminada, que segue acima dos dois dígitos.  A persistência da inflação brasileira, neste momento, tem grande componente externo, com as commodities escalando em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o surto de Covid-19 na China que fecha portos e causa gargalos logísticos e também a inflação e os juros mais altos em economias desenvolvidas – nos EUA, que também elevou novamente hoje sua taxa básica de juros.

Segundo o comunicado divulgado após anúncio da decisão;

“O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude. O Comitê nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.”

A REAG entende, assim, que o Copom fará outra alta na reunião de junho, a 11ª consecutiva, mas em menor adição comparativamente aos 100 bps em maio. Encerrar o longo ciclo de aperto em junho (com um aumento moderado da taxa) seria de fato justificado, em nossa visão, pelo fraco perfil de crescimento do PIB real abaixo da tendência, efeitos defasados de uma orientação monetária já claramente restritiva, real bem licitado e aumento incerteza geopolítica e econômica global em meio à alta volatilidade financeira. A expectativa da REAG é de que a taxa Selic terá novo aumento em junho, para 13,25% ao ano. E que terminará 2022 neste patamar.

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