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Resultado positivo do CAGED de maio (+34 mil) é fruto de fatores sazonais, os quais, se descontados, colocam o mercado de trabalho ainda em terreno negativo

De acordo com o Ministério do Trabalho, o mês de maio de 2017 registrou geração líquida de +34,2 mil postos formais de trabalho. O resultado surpreendeu e veio acima da mediana das projeções do consenso de mercado (+15,5 mil postos). Esse é o primeiro resultado positivo para meses de maio desde 2014. A aparente boa notícia, contudo, é apenas aparente. Na verdade, a análise dessazonalizada ainda coloca o mercado de trabalho em terreno negativo.

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Contudo, adotado o ajuste sazonal, o número de maio de 2017 mostrou o mesmo comportamento que já vinha sendo observado no passado recente: pequena aceleração marginal do saldo, ainda que em terreno negativo – o fechamento líquido de vagas ficou em -70 mil postos, ante -82 mil postos no mês de abril. A conclusão é que o resultado positivo no dado não dessazonalizado foi consequência unicamente de fatores sazonais – em outras palavras, o mercado de trabalho ainda permanece em um cenário de destruição líquida de postos formais, muito embora em uma tendência gradual de recuperação. Dessa forma, a pequena surpresa positiva na divulgação do CAGED de maio não muda nossa projeção de que este movimento de fechamento líquido de postos formais (dessazonalizados) deve se manter no segundo semestre deste ano.

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Nossa análise é que o mercado de trabalho caminha para o estancamento da tendência de destruição líquida de empregos formais. Uma retomada consistente, todavia, é incerta, dada a existência de significativa ociosidade dos fatores de produção além dos desdobramentos do caos político que geram incertezas e desconfiança sobre a recuperação da economia no curto prazo.

Avaliamos que a “surpresa” positiva no CAGED de maio não muda nosso diagnóstico de que a recuperação do mercado de trabalho será lenta e gradual. O principal ponto a ser levado em consideração é que ele ainda está sofrendo os efeitos da recessão econômica e da crise política, uma vez que o esperado para os próximos meses ainda é fechamento líquido de vagas (considerando o ajuste sazonal – média móvel em 12 meses).

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