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Produção industrial tem perda de 6,6% em 2016, mas leituras mensais sinalizam perspectiva de morosa retomada

A produção industrial brasileira encerrou o ano de 2016 com queda de 6,6%, o terceiro ano seguido de perdas e o terceiro pior resultado anual na série histórica iniciada em 2002, perdendo apenas para 2015 (-8,3%) e para 2009 (-7,1%). Em dezembro último, contudo, a produção industrial apresentou crescimento marginal (contra o mês anterior) de 2,3%, o melhor resultado para o mês desde 2011 (+2,7%). Na comparação com dezembro de 2015 houve perda de 0,1% e esse foi o 34º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação, porém o menos intenso desde o início do atual ciclo recessivo (no 2º trimestre de 2014). Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE.

Analisando as últimas leituras mensais e os recentes números dos indicadores de confiança, arriscamos afirmar haver relativa tendência de reversão para a atividade manufatureira. Diferentemente do que aconteceu entre os segundo e terceiro trimestres do ano passado, quando o suspiro de recuperação não se sustentou, no momento atual a indústria conta com a flexibilização da política monetária a seu favor, a qual deverá conduzir a taxa básica de juros para abaixo de 10% no final de 2017.

Nossa estimativa preliminar para a produção industrial de janeiro aponta expansão de 1,1% na comparação interanual, o que em termos dessazonalizados corresponderia a uma alta de cerca de 0,4% sobre o mês imediatamente anterior. Vale ressaltar, contudo, que essas estimativas estão apoiadas em poucas informações e ainda não incorporam indicadores mais relacionados à produção de fato.

Para 2017 projetamos recuperação modesta, em torno de 2,2% os vetores que sustentam o pano de fundo desse cenário: consumo doméstico contraído, deterioração do mercado de trabalho, condições adversas do mercado de crédito e instabilidade política e incertezas no cenário internacional. Nesse sentido, a projeção de alguma melhora da indústria em 2017, ainda que morosa, conta com uma perspectiva positiva para o ajuste fiscal, descompressão inflacionária e, conforme mencionado antes, flexibilização monetária.

 
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