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Produção industrial despenca 3,8% em agosto, mas queda é pontual e ainda não interrompe perspectiva de lenta retomada

Depois de cinco meses seguidos de resultados positivos, a produção da indústria brasileira levou um tombo de 3,8% em agosto na comparação com o mês anterior, anulando o ganho de 3,7% registrado nessa sequência de altas. Foi a maior queda marginal desde janeiro de 2012, quando a retração foi de 4,9%, informou hoje o IBGE. O resultado vai de encontro ao projetado pela REAG, que previa perda de 3,9% em agosto. Na avaliação da REAG, a perspectiva de lenta recuperação do setor manufatureiro não foi colocada em cheque apesar do tropeço em agosto, o qual foi resultado de fatores pontuais.

No resultado acumulado nos oito primeiros meses do ano, a perda é de 8,2%. Nos doze meses encerrados em agosto, a queda é ainda maior, de 9,3%. Na comparação com agosto do ano passado, o recuo é de 5,2% — 30ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, mas a menos intensa desde junho de 2015. Nesse caso, o desempenho ruim da indústria automotiva foi determinante para o número amargo de agosto, com destaque para a paralisação de mais de um mês da fábrica da Volkswagen em São Bernardo (SP). Vale a ressalva, contudo, de que a retração da indústria em agosto, período em que as fábricas estão se organizando para as vendas de natal no final do ano, sinaliza que as perspectivas de vendas no período não são muito positivas.

Apesar de a indústria vir de uma trajetória de avanço, mesmo que tímido, o setor ainda sofre com a queda da demanda doméstica. Até o momento, o cenário recessivo permanece, nada mudou significativamente pelo lado da demanda doméstica (aumento da taxa de desemprego, queda na renda real; preços elevados) e pelo lado do crédito (caro, restrito, escasso e com taxas de inadimplência altas). Todos esses fatores não sumiram de uma hora para outra. Ao longo deste ano, temos comportamento negativo intenso disseminado entre as atividades econômicas. Estamos num patamar de produção semelhante ao de dezembro de 2008.

Sustentada a hipótese de que o resultado de agosto é uma queda pontual e não uma tendência, mantemos nossa projeção de que o PIB industrial se situará em terreno negativo nas próximas duas leituras trimestrais do PIB: -2,0% e -0,3% nos terceiro e quarto trimestres deste ano. Também mantemos nossa perspectiva de que o PIB industrial retomará o crescimento a partir do primeiro trimestre de 2017.

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