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PIB: Brasil bate um recorde atrás do outro, nunca visto antes na história…

  • Pior desempenho desde 1990 e da atual série histórica
  • Pior desempenho na economia mundial em 2015
  • Serviços tem maior queda em 35 anos
  • Consumo das famílias tem maior queda em 25 anos

Em 2015, o PIB brasileiro teve seu pior desempenho desde 1990. A queda de 3,8% é a maior desde o recuo de 4,3% registrados em 1990 e o pior resultado da atual série histórica, que começa em 1996. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira e vão de encontro à projeção da REAG (-3,9%).
As estatísticas oficiais dizem que em 1981 e em 1990 o PIB teve quedas superiores à de 2015. Naqueles anos, o PIB era apurado com outra metodologia, o que torna questionável a comparação. Entretanto considerando apenas a série histórica da atual metodologia, também foram recordes, como maiores perdas:

  • PIB industrial: -6,2%
  • PIB Serviços: -2,7% (único resultado anual negativo)
  • Consumo das Famílias: -4%
  • Investimento: -14,1%

Além disso, o encolhimento de 3,8% no PIB mostra que o Brasil teve o desempenho mais fraco na economia mundial em 2015. Nem a Rússia foi pior, com -3,7%. Contudo, as razões que levaram ao encolhimento da economia nos dois países são distintas. Enquanto o Brasil enfrenta uma crise política e nas finanças públicas, na Rússia a perda no PIB foi impactada primordialmente pela queda do preço do petróleo e pelas sanções comerciais impostas ao país devido à crise ucraniana.
Não são apenas os recordes que tornam a atual crise econômica singular. Suas origens e sua evolução, sobretudo, destoam dos padrões. Recessões normalmente são provocadas por alguma brusca ruptura no ambiente político-econômico, como uma forte desvalorização cambial, acentuada queda no preço de commodities (como o petróleo), a deflagração de uma crise internacional, uma abrupta variação nas taxas de juros, a falência de um grande banco, uma mudança repentina no cenário político e democrático, etc.
A atual recessão, por sua vez, começou a dar os primeiros sinais de vida no final do segundo semestre de 2013, com a queda dos investimentos das empresas. Nessa época, contudo, não foi observado qualquer ruptura no padrão político-econômico. Muito pelo contrário, a crise política, incitada pelas denúncias de corrupção na Petrobras, ainda era algo inimaginável. Por outro lado, o dólar, a inflação, o mercado acionário e o cenário internacional não apresentavam qualquer movimentação além das expectativas de mercado.
Não obstante, silenciosamente a política econômica da presidente Dilma Rousseff, baseada na nova matriz macroeconômica, apodrecia. Aos poucos, a degradação da estratégia econômica sustentada pela expansão indiscriminada dos gastos públicos, pelo afrouxamento das rédeas da política monetárias e pela política de subsídios tomou proporções. Proporções essas que se acentuaram com a crise política.
Em outras palavras, a atual recessão não pode ser combatida de forma convencional, com a simples alta da Selic, porque não emergiu de forma convencional por meio de fatores adversos e temporais. Essa é uma recessão retroalimentada pela atual política econômica da presidente Dilma, que foi plantada e vem sendo carinhosamente cultivada internamente.
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PIB Brasil – pela ótica da Produção (2015 x 2014):
pib1
Tanto a indústria quanto o setor de serviços apresentaram queda de mesma intensidade que o PIB total. Dentre as categorias que compõem o PIB industrial, destacou-se a atividade extrativa, cujo forte recuo refletiu os acidentes em Mariana-MG. Já dentro dos serviços, as aberturas que registraram as variações mais intensas foram o do comércio e dos transportes. Já a agropecuária contribuiu positivamente para o resultado.
PIB Brasil – pela ótica das Despesas (2015 x 2014):
PIB2
Apenas o setor externo apresentou desempenho favorável, em linha com o ajuste recessivo do País, no qual o crescimento das exportações de bens e serviços foi mais que compensada pela retração das importações. O consumo das famílias manteve a trajetória negativa dos trimestres anteriores. O consumo do governo também mostrou recuo. A queda nos investimentos refletiu a fraca atividade interna e a redução das importações de bens de capital.

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