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PIB 2021 – Economia brasileira cresce 4,6% em 2021, retorna aos patamares pré-pandemia, mas impulso perde tração ante as incertezas que pesam sobre 2022: eleição, inflação, guerra, juros altos.

A economia brasileira encerrou o ano de 2021 em um ritmo mais robusto do que se esperada (destaque para o 4º trimestre que veio acima das expectativas), fazendo o PIB doméstico fechar o ano passado com alta de 4,6%, um resultado para se comemorar, mas muito por conta do carregamento do ano anterior (carry-over), que é a herança estatística deixada pelo ano de 2020 de 3,6%. Em outras palavras, caso a economia ficasse estagnada ao longo do ano passado, o PIB teria registrado, pelo menos, alta de 3,6%. Lembrando que em 2020, primeiro e mais difícil ano da pandemia da covid-19, o PIB brasileiro registrou queda de 3,9%. Estimamos que para 2022 o carry over é de 0,3%. Ou seja, para a economia apresentar ganhos acima do movimento inercial de uma economia em movimento, esperamos que o PIB seja superior a 0,3%. Parece uma tarefa fácil, se não fosse o ambiente externo bastante turbulento por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, e as dúvidas que pairam sobre o ambiente doméstico em um ano de disputa eleitoral, juros altos e inflação indomada. A alta do PIB em 2021 dá um certo alívio, mas ainda exige cautela e não permite o Brasil navegar em mares de otimismo. De maneira prática, a leitura do PIB em 2021 permite apenas dizer que o país conseguiu se recuperar da pandemia do coronavírus, mas não possibilita afirmar que estamos com “fôlego” suficiente para o país ir além disso. Atingimos a “normalização” da atividade, mas falta vigor para crescermos, muito por conta da Selic nas alturas.

O crescimento da economia foi puxado pelas altas nos serviços (4,7%) e na indústria (4,5%), que juntos representam 90% do PIB do país. Por outro lado, a agropecuária recuou 0,2% no ano passado.

Ao contrário do que aconteceu em 2020, todos os componentes da demanda avançaram em 2021, contribuindo positivamente para o crescimento do PIB. O consumo das famílias avançou 3,6% e o do governo subiu 2,0%. No ano anterior, esses componentes haviam recuado 5,4% e 4,5%, respectivamente. Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) avançaram 17,2%, favorecidos pela construção, que no ano anterior teve uma queda, e pela produção interna de bens de capital. A taxa de investimento subiu de 16,6% para 19,2% em um ano. A balança de bens e serviços registrou alta de 12,4% nas importações e de 5,8% nas exportações. Em 2020, tinham recuado 9,8% e 1,8%, respectivamente.

No quarto trimestre de 2021, o PIB veio com crescimento de 0,5% comparativamente ao trimestre anterior (sem efeito sazonal), resultado que surpreendeu as estimativas de mercado que sinalizavam alta de 0,2% na média. Apesar de o número ser minguado, o resultado aponta relativa aceleração da atividade relativamente aos dois trimestres anteriores, quando o PIB havia retraído 0,3% e 0,1%.

 

O que esperar do PIB para 2022?

 

Para 2022, contudo, o discreto impulso do quarto trimestre de 2021 não deve prosperar. Lembrando que os juros neste ano deverão ser bem superiores aos que perduraram ao longo de 2021, por conta do ciclo de aperto monetário provido pela autoridade monetária para combater a resistente e disseminada inflação, remédio que visa curar a alta dos preços, mas tem efeitos colaterais sobre a atividade. E para atabalhoar o cenário, temos a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia que instaura uma nuvem pesada de incertezas sobre a economia global, inflando para cima os preços das commodities e apimentando ainda mais as pressões inflacionárias.

 

Tal fato, pode levar o Banco Central brasileiro a apertar mais sua política monetária de combate à alta de preços, devendo elevar ainda mais a taxa básica de juros, comparativamente ao que prevíamos nas últimas semanas. E as preocupações acerca de 2022 não param por aí, advertindo que estamos em ano eleitoral, marcado por dúvidas de como será conduzida a política fiscal em 2023.  Lembrando que a Selic estava em 2% até março de 2021 e hoje já está em 10,75% e vai subir ainda mais. Com o aumento dos preços de commodities, a REAG projeta com alta probabilidade a Selic chegar na casa dos 13%, o que deverá impactar o custo do crédito em um momento em que famílias e empresas estão endividadas, sem falar na receita corroída pela inflação. Concomitantemente, em anos eleitorais, por conta das incertezas fiscais e políticas, usualmente as empresas e investidores são mais comedidos reduzindo a sua disposição a investir.

 

E para cimentar ainda mais esse cenário sombrio, carregado pelos efeitos adversos da guerra entre Rússia e Ucrânia, não podemos esquecer de citar que o Fed (o banco central norte-americano) começará a elevar sua taxa básica de juros em breve, o que é um obstáculo a mais para o crescimento econômico de países emergentes como o Brasil.

 

Com as tintas apresentadas acima, fica difícil desenhar um quadro colorido para 2022. A depender do andar da carruagem da guerra entre Rússia e Ucrânia e os desdobramentos neste ano eleitoral, não é de tudo pessimista esperar estagnação ou expansão marginal, como a que a REAG projeta: +0,5% de crescimento do PIB em 2022.

Por: Simone Pasianotto

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