Fechamos outubro com otimismo, apesar da fraqueza na atividade econômica

Outubro foi um mês positivo para o Ibovespa, que subiu 2,4% e fechou em 107.220 pontos, com destaque para:

(1) Otimismo com a aprovação da reforma da previdência no segundo turno no Senado, com uma economia acima do previsto pelo mercado;

(2) Gradual consolidação da agenda pós-previdência, que exigirá articulação política do governo;

(3) Melhora relativa no cenário externo, com expectativas de que os EUA e China cheguem pelo menos a um acordo comercial preliminar;

(4) Menor probabilidade de recessão nos EUA, corroborada pela surpresa no crescimento do PIB no 3T e mensagem do Fed de que cortes adicionais nos juros, além dos 0,25%, não serão necessários.

No Brasil, o corte de 0,50% na Selic manteve aquecida a discussão de juros mais baixos por mais tempo e sustentou o índice Ibovespa no relativo aos mercados globais. Nossos economistas esperam mais um corte de 0,50% na próxima reunião do Copom em dezembro, e um adicional de 0,25% na reunião de fevereiro, levando a Selic para o menor patamar de sua história, de 4,25% ao ano.

Do lado das reformas, o foco agora passa para a agenda pós-previdência, incluindo as reformas administrativa e tributária bem como o pacto federativo. A equipe econômica esta na iminência de enviar suas propostas, e será importante monitorar o grau de articulação política do governo para executá-las após a volatilidade recente.

Contudo, as expectativas com a atividade doméstica para os próximos anos ainda estão longe da taxa média histórica de crescimento do PIB de 3,2%, entre 1999-2014. Os dados divulgados no mês de outubro decepcionaram aqueles que imaginavam que o PIB poderia ter um trimestre mais robusto frente aos demais. Certamente o FGTS deve dar algum gás na atividade por conta do varejo, mas a forte ociosidade na capacidade instalada da economia brasileira resiste. A Taxa de Desemprego foi de 11,8% frente uma expectativa de 11,6% e a Produção Industrial foi de 0,3% contra 0,9% de projeção dos economistas. A lenta retomada preocupa, pois nem a taxa de juros real mais baixa da nossa história tem conseguido alavancar algum tipo de crescimento mais consistente no curto prazo.

 

Melhora Relativa no Cenário Externo

Acreditamos que um dos fatores que sustentou a alta da Bolsa no mês de outubro foi a melhora relativa do cenário externo, principalmente devido ao arrefecimento da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

O avanço do acordo comercial preliminar entre as duas potências foi uma evolução importante e trouxe um tom mais positivo. Dentre os detalhes discutidos nesta primeira fase, destacamos: (i) o entendimento nas áreas cambial, de propriedade intelectual e de serviços financeiros; e (ii) o aumento entre US$ 40-50 bilhões das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos.

Além disso, os Estados Unidos concordaram em não elevar as tarifas de 25% para 30% no dia 15 de outubro e estão considerando estender as isenções tarifárias sobre US$ 34 bilhões de produtos chineses por mais doze meses.

Novembro será um mês importante para esse tema. A expectativa era de que um acordo poderia ser assinado na reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), no Chile, nos dias 16 e 17. Porém, o evento foi cancelado em função dos protestos locais. Dessa forma, por enquanto, ainda está incerto onde e quando será o encontro entre os países.

Mantemos nossa visão de que as circunstâncias devem forçar o presidente americano a chegar a um acordo com os chineses, aumentando suas chances de reeleição em 2020.

Quanto ao crescimento global, os dados continuam a apontar para um quadro de desaceleração. Porém, a probabilidade de recessão nos Estados Unidos diminuiu.

Os sinais de contração da indústria e do mercado de trabalho americano contribuíram para a redução de 0,25% nos juros. Entretanto, o crescimento do PIB no terceiro trimestre surpreendeu positivamente e o comunicado do Fed após a decisão do FOMC sugeriu que cortes adicionais não serão necessários.

Na China, o PIB do terceiro trimestre cresceu 6,0% na comparação anual, marcando o ritmo mais lento de crescimento desde o início da série histórica, em 1992. Na Europa, os dados de PMI também reforçaram a mensagem de que o cenário econômico da região permanece desafiador, com indicadores próximos da marca de 50 que indica estagnação.

Por fim, apesar do desfecho ainda incerto, a percepção com relação ao Brexit melhorou. A União Europeia acatou o adiamento da decisão para 31 de janeiro e tem se mostrado mais aberta para um acordo. Além disso, o Parlamento britânico aprovou a convocação de eleições gerais para 12 de dezembro, onde será decidido quem comandará o país nas negociações finais do Brexit.

 

Juros mais baixos por mais tempo

A discussão de juros baixos por mais tempo do que se imagina permaneceu aquecida em outubro, com cortes adicionais nas taxas de juros.

Uma exceção foi na Europa, onde Banco Central (BCE) manteve sua política monetária inalterada. A decisão era esperada, uma vez que uma série de medidas de estímulo, como corte de juros e retomada de compras mensais de ativos, haviam sido anunciadas em setembro.

Também em linha com as expectativas, os sinais de contração da indústria e do mercado de trabalho americano contribuíram para a redução de 0,25% nos juros dos Estados Unidos. Entretanto, o crescimento do PIB no terceiro trimestre surpreendeu positivamente e o comunicado do Fed após a decisão do FOMC sugeriu que cortes adicionais não serão necessários. Ainda assim, destacou-se a importância do acompanhamento dos indicadores econômicos.

No Brasil, a expectativa da continuidade do ciclo de corte de juros se concretizou. Em outubro, o Banco Central anunciou redução adicional de 0,50% na taxa Selic e manteve a mensagem de que o balanço de riscos para inflação é benigno no comunicado emitido após a reunião.

Esperamos que o Copom realize mais um corte de juros de 0,50 ponto porcentual na reunião de dezembro, além de um corte adicional de 0,25% na reunião de fevereiro, trazendo a taxa Selic para o menor patamar de sua história em 2020, em 4,25% ao ano.

Reformas no horizonte

No Brasil, o grande destaque do mês de outubro foi a aprovação da reforma da Previdência na votação de segundo turno no Senado, com uma economia esperada de R$ 800 bilhões para os próximos 10 anos.

Desafio agora é a estruturação de uma agenda que convirja para um ritmo de aprovações mais rápido do que foi a previdência.

Vale lembrar que no 2º semestre de 2020 haverá eleições municipais, que dificultam a agenda dos congressistas. Adicionalmente, em 2021 expiram os mandatos de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, o que dificultaria ainda mais a articulação política, uma vez que o Executivo se absteve desta atividade.

Hoje, a expectativa é que a seguinte ordem das reformas seja apresentada:

I. Reforma Administrativa;

II. Medidas do Pacto Federativo;

III. Redução das Despesas Obrigatórias (ex.: PEC da Regra de Ouro);

IV. Reforma Tributária.

 

 

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