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Opinião do Economista

Copom deverá sinalizar que início do ciclo de cortes da Selic se aproxima

Copom manterá taxa de juros estável. Nessa semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) voltará a se reunir para deliberar sobre a taxa Selic. Não esperamos surpresa em relação ao amplo consenso do mercado, que prevê a manutenção mantendo dos juros em 13,75% pela sétima reunião consecutiva.

O comitê deverá reconhecer melhora importante do cenário prospectivo para a inflação. Após várias reuniões sem grandes novidades em sua linguagem, o comunicado à imprensa provavelmente trará alterações relevantes. O Copom deverá reconhecer que, embora em patamares ainda elevados, a inflação evoluiu de maneira favorável nos últimos meses, com destaque para o recuo das medidas de núcleo de inflação. Após um longo período de deterioração consistente, nas últimas semanas as expectativas para o IPCA para este e os próximos anos passaram a recuar na Pesquisa Focus, o que será prontamente notado pelo Banco Central.

As projeções do Copom deverão recuar substancialmente. Os dois fatores acima, ao lado da apreciação da taxa de câmbio e a forte deflação dos preços no atacado, prenunciam uma redução importante nas projeções do Copom para o IPCA. Esperamos queda na projeção no “cenário de referência” de 5,8% para 5,3% para o ano de 2023. Mais importante, para o ano de 2024 – atual “horizonte relevante” para a política monetária – a projeção deverá recuar de 3,6% para 3,3%, abrindo a possibilidade para o Copom caracterizá-la como “situada ao redor da meta” de 3,0%.

A sinalização sobre os próximos passos também será alterada. O Copom deverá retirar do comunicado a sentença em que mantém a possibilidade de voltar a elevar as taxas de juros, reiterando que os próximos passos da política monetária serão dependentes dos dados.

A grande dúvida é se o Copom já reconhecerá assimetria baixista no balanço de riscos para a inflação. Atualmente, o Copom identifica neutralidade no balanço de riscos. A melhora no cenário prospectivo mencionada anteriormente, juntamente com a esperada manutenção do valor numérico da meta de inflação em 3% para os anos de 2024 e 2025 (a ser deliberada em reunião do Conselho Monetário Nacional ao final de junho) poderá levar o Copom a reconhecer uma assimetria de riscos baixista para a inflação. 

Prevemos o início do corte de juros em agosto. O Copom deverá iniciar o ciclo de redução da Selic já em sua reunião seguinte, com um corte de 50bp. Acreditamos que os juros encerarão 2023 em 11,25%, e 2024 em 9%.

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