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Horizonte aberto para a REAG

ISTOÉ Dinheiro

Por Cláudio Gradilone

15/07/2022

 

Como bom mineiro, João Carlos Mansur trabalha em silêncio. Em setembro de 2012 ele aproveitou seus contatos no setor imobiliário e no negócio de prestação de serviços para o setor de investimentos para criar sua própria gestora de recursos, a REAG. Quase dez anos depois, a empresa é a segunda maior gestora independente do mercado brasileiro, com R$ 72 bilhões sob administração. Além da tradicional discrição mineira, a empresa é pouco conhecida do grande público porque os 220 fundos têm cerca de 50 clientes, em sua maioria investidores institucionais e family offices, que administram recursos de famílias de alta renda. Agora, porém, a REAG vai começar a aparecer mais. Além da gestão de recursos e da estruturação de negócios, Mansur e seus sócios vão começar a emprestar dinheiro.

 

 

Nos últimos meses, a REAG adquiriu quatro empresas do setor. São três originadoras de crédito dedicadas aos empréstimos consignados, a condomínios e ao setor esportivo. “Temos bons relacionamentos com empresários, e agora vamos começar a nos relacionar com os funcionários dessas empresas, por meio de empréstimos consignados, por exemplo”, disse Mansur. Ainda pendentes de aprovação pelo Banco Central (BC) está uma empresa para emitir Cédulas de Crédito Bancário (CCB), títulos lastreados por empréstimos, que serão distribuídos aos investidores clientes. “Estamos criando um ecossistema”, afirmou o empresário. “Começamos com um fundo de R$ 100 milhões para adquirir empréstimos, e a meta é chegar a R$ 1 bilhão até o fim de 2023.”

Para expandir sua empresa, Mansur se apoia no contato pessoal. “Tem de sentar para conversar com o cliente”, disse ele. Isso garantiu sua transação imobiliária mais conhecida na qual uniu duas de suas paixões: fechar negócios e a Sociedade Esportiva Palmeiras, tradicional time paulistano fundado por imigrantes italianos e que atualmente é a principal força motriz na renovação do futebol brasileiro.

Em 2007 Mansur teve uma reunião não agendada com um dos assessores do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, então diretor de planejamento do clube e, posteriormente, presidente. “Nos encontramos no elevador do prédio em que ficava meu escritório, na Avenida Faria Lima [em São Paulo]”, disse Mansur. Na conversa, veio o pedido a Mansur para encontrar Belluzzo e ajudar a tirar as finanças do alviverde da retranca.

Para virar o jogo, o presidente da REAG sabia que era preciso desengavetar o projeto do novo estádio do clube. “O Palmeiras precisava de fonte alternativa de receitas além do futebol”, disse Mansur. O problema era como financiar o empreendimento. Naquele momento, os times brasileiros ainda viviam as agruras anteriores à organização das finanças e da estruturação do setor.

Ao conversar com Belluzzo, Mansur apresentou o projeto de um espaço que serviria como estádio e também abrigaria eventos. As receitas com aluguéis, direitos de nome e concessões para vender alimentos fariam a diferença nas contas. Belluzzo comprou a ideia, mas apresentou o argumento que vinha mantendo os planos inviáveis: que investidor traria o dinheiro? “Deixa comigo”, respondeu Mansur. Que, ato contínuo, marcou uma reunião com o empreendedor imobiliário Walter Torre (1956-2020).

Conhecido por construir torres corporativas, shoppings e fábricas, Torre mostrou-se tão cético quanto Belluzzo. Porém, Mansur enumerou as vantagens do projeto. Seria a única arena adequada para eventos na cidade, semelhante a um megateatro americano ou europeu. Poderia abrigar 40 mil pessoas e
ficaria em uma região central, próxima a estações de metrô e shoppings. Torre, escaldado por problemas com outro time paulistano refugou. Mansur seguiu insistindo. E seis reuniões depois, tudo resolvido. “Assinamos o memorando de entendimentos em 40 dias, o contrato de investimentos em sete meses e inauguramos a arena em quatro anos.” Mansur só perde jogo quando o trabalho impede. “Cliente tem prioridade.”

 

 

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