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JBS x Temer: nem Tsunami, nem “marolinha”, mas uma bela ressaca na economia

A revelação de que o presidente Michel Temer (PMDB) deu aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não gerará um Tsunami sobre a economia brasileira, muito menos uma “marolinha”, mas certamente deixará o gosto amargo de uma ressaca carregada de incertezas sobre os rumos da economia brasileira. Após os donos da JBS oferecerem em acordo de delação premiada uma gravação em áudio na qual Temer dá o aval para a compra do silêncio de Cunha e indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver uma pendência da empresa, o futuro do presidente da República parece incerto.

Apesar de notícia “bombástica” ter sido divulgada com muito alarde e fogos de artifício pela mídia em rede nacional, de fato ninguém foi pego de surpresa em tempos que boa parte dos crimes de corrupção está vindo à tona por meio de delação premiada. Esse tipo de noticiário já virou “carne-de-vaca”, mas deixa todos atônitos porque diz respeito ao Presidente da República, o que é um prato cheio para a especulação financeira. A notícia ainda precisa ser confirmada e a gravação precisa ser aceita pela Justiça como prova cabível para que Temer possa ser julgado e considerado culpado. Mas dada a morosidade e todas as possibilidades de recursos permitidos em nossa Justiça, o burburinho gerará ainda mais instabilidade política e econômica no país, o que deve retardar a volta do crescimento porque coloca em risco a continuidade do atual governo e, consequentemente, a aprovação das reformas, especialmente a da Previdência.

Mercado Financeiro: a única certeza é que no curtíssimo prazo haverá um verdadeiro “massacre da serra elétrica” especulativo no mercado financeiro e acionário. A bolsa brasileira abriu hoje em queda de mais de 8% na casa dos 61 mil pontos. Ações como a da Petrobras e da Vale abriram em leilão, com a Petrobras sinalizando queda de 20% na abertura, a Vale caindo mais de 13% e a Ambev quase 8%. Há pouco, a bolsa caia mais de 10% e o clima de incerteza acionou o circuit-breaker, que já era esperado pelos investidores. Ontem à noite alguns analistas enviaram aos clientes comunicados dizendo que haveria grandes chances de a paralisação ocorrer, o que já ocorreu.

Reformas: em um ano, o governo Temer vinha fazendo pelo menos a lição de casa básica. A aprovação de reformas como a da Previdência é apontada pelo mercado como fundamental para a retomada da economia. Em tese, a agenda econômica retomaria a confiança de investidores, o que desencadearia um processo virtuoso, com retomada de emprego e crescimento econômico. Agora, todo esse processo está suspenso. A REAG acredita que o impacto benigno da condução da reforma da Previdência sobre a confiança do empresariado perde força e terá menor efetivamente para fomentar a retomada do crescimento.

Selic: as expectativas do mercado de que a autoridade monetária aceleraria o processo de cortes na taxa básica de juros vão por água abaixo e geram dúvidas sobre a firmeza na condução da política monetária. Com a mudança de cenário, esse processo também está ameaçado. Mantemos nosso call de queda de 1 basis-point na próxima reunião do Copom, que faria a Selic cair dos atuais 11,25% a.a. para 10,25%.

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Impeachment: Temer admite o encontro, mas nega ter autorizado “qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”. Diante da repercussão do caso, deputados da oposição já protocolaram na Câmara um novo pedido de impeachment contra o presidente. As novas revelações, contudo, minam a credibilidade de um presidente já impopular e pode corroer seu apoio parlamentar. Se ficar comprovada a denúncia contra Temer, esse fato configuraria crime de responsabilidade, abrindo caminho para um impeachment. Assim, apesar de aparentemente ainda baixa, não descartamos a possibilidade de impeachment.

Renúncia: com oito ministros sob investigação da Lava-Jato no STF e um baixo índice de popularidade, Temer vive um momento de severa fragilidade política e jurídica. Contudo, a opção pela renúncia é um ato pessoal. Sentindo-se encurralado, Temer pode decidir por essa alternativa. Entretanto, dada a vaidade e a avidez do presidente pelo poder esse cenário é muito pouco provável.

Manutenção no poder: em um ano de governo, Michel Temer manteve de certa forma uma base de sustentação parlamentar forte no Congresso, não obstante a lenta recuperação da economia, as denúncias da Lava-Jato e a escassez de apoio popular. Não seria estranho, portanto, que Temer se ampare no suporte de deputados e senadores aliados para tentar atravessar o vendaval da denúncia. Esse é o cenário mais provável, de um governo moribundo de transição.

 Reação da população: certamente haverá apoio popular para que a denúncia seja levada adiante. Mas o povo já se encontra cansado e empapuçado pela lama da corrupção que vem à tona todos os dias há mais de três anos, sem considerar todo o desgaste que causou o processo de impeachment da “ex-companheira” de Temer, Dilma Rousseff.
Até o momento, Temer divulgou apenas uma nota negando o fato. Mas diante da dimensão da crise, não era o momento de “notinhas” protocolares. O mínimo exigido e esperado pelos cidadãos brasileiros era um pronunciamento firme do Presidente da República, que continua escondido.
 

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