A produção industrial brasileira desabou 9,1% em março, na comparação com fevereiro, para meses de março da série histórica da pesquisa, iniciada em 2002. Todos as bases de comparação apresentam resultados negativos, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE. O setor apresentou também a queda mensal mais acentuada desde maio de 2018 (-11%), quando o setor foi afetado pelas paralisações provocadas pela greve dos caminhoneiros, além de fechar o 1º trimestre no vermelho, com queda de 2,6% frente aos últimos 3 meses de 2019. Na comparação com março do ano passado, a queda foi de 3,8%, quinto resultado negativo seguido nessa comparação. Com o tombo de março, a produção industrial passou a acumular no ano uma retração de 1,7%. Em 12 meses, a queda é de 1%.

Com o resultado de março, o patamar de produção retornou a nível próximo ao de agosto de 2003, ficando 24% abaixo do pico histórico, alcançado em maio de 2011 – em fevereiro essa distância era de 16,4%. O tombo de agora levou o setor a uma posição pior que a registrada com a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, quando o patamar ficou 23,9% abaixo do pico. Destaca-se, contudo, que o início das medidas restritivas provocadas pela pandemia e o período de confinamento não atingiu todo o mês de março e o índice captura mais efetivamente os impactos do isolamento social no final do mês, com um número maior de plantas industriais concedendo férias coletivas e interrompendo a sua produção.

 

Efetivamente, esperamos que os efeitos da pandemia sobre a produção industrial tendem a se prolongar, ao contrário do ocorrido com a greve dos caminhoneiros, que foi um movimento pontual. Em outras palavras, a REAG projeta continuidade desse movimento de queda para o mês de abril e meses seguintes. De acordo com os dados do IBGE, houve queda de produção em todas as quatro grandes categorias do setor e em 23 dos 26 ramos pesquisados, evidenciando o aprofundamento das paralisações em diferentes plantas industriais, devido ao isolamento social. Entre as atividades, a queda que exerceu a maior pressão no índice geral foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias (-28%), pior resultado desde maio de 2018 (-29%). As únicas altas foram registradas nos ramos de impressão e reprodução de gravações (8,4%), de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (0,7%) e de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (0,3%).

 

Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que a pandemia de coronavírus derrubou a confiança do empresário industrial para mínimas históricas na passagem de março para abril. Dados da PNAD Contínua do IBGE, mostraram que o número de postos de trabalho na indústria caiu 2,6% no 1º trimestre (ou menos 322 mil pessoas), na comparação com o 4º trimestre. Com a crise, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria brasileira atingiu em abril o menor patamar já registrado, segundo levantamento da FGV. O indicador alcançou o percentual de 57,5% em abril, menor valor da série histórica iniciada em janeiro de 2001. Isso significa que, em média, o setor industrial operou com pouco mais da metade da sua capacidade total.

 

Assim, frente aos indicadores antecedentes, a REAG projeta manutenção da tendência de perdas para o setor nos próximos, potencializando a nossa projeção e a indústria fechar o ano de 2020 com recuo de 7,3%.

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