Surpreendendo o consenso de mercado, o índice oficial de preços ao consumidor registrou deflação de 0,04% em setembro, no resultado mais fraco para o mês em 21 anos (desde 1998) e a primeira deflação desde novembro do ano passado (-0,21%). A leitura de setembro levou a inflação no acumulado 12 meses até setembro abaixo de 3%, a 2,89%, contra 3,43% no mês anterior e contra a meta para este ano de 4,25%. Essa é a menor taxa nessa base de comparação desde maio (+2,86%). O resultado veio no piso do intervalo das estimativas dos analistas do mercado, que previam desde uma queda de 0,04% a um avanço de 0,18%, com mediana positiva de 0,02%.

Resumidamente, a aparente boa notícia do “bom comportamento” dos preços advém de uma demanda menor e contida, o que não é necessariamente uma boa notícia. Isso posto, as famílias estão consumindo menos, como reflexo de estagnação econômica retroalimentada pela falta de apetite dos investidores e empresários. Os dados mostraram que três dos nove grupos pesquisados tiveram queda de preços em setembro. A maior contribuição negativa foi dada por Alimentação e bebidas, com deflação de 0,43%. Esse recuo foi resultado principalmente da alimentação fora de casa, cuja alta passou de 0,53% em agosto para 0,04% em setembro. Na outra ponta, Saúde e cuidados pessoais teve o maior impacto impositivo ao subir 0,58% no mês, uma vez que os itens de higiene pessoal tiveram alta de 1,65%.

Depois de cortar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 5,50% ao ano, o Banco Central vem repetindo que há espaço para novo afrouxamento mesmo com o movimento recente do câmbio. De acordo com a autoridade monetária, a inflação acumulada em 12 meses deve recuar, mas subirá até o fim do ano para níveis próximos aos observados em agosto. A pesquisa Focus realizada pela autarquia mostra que a expectativa do mercado é de que o IPCA termine este ano com alta de 3,42%. O resultado negativo do IPCA de setembro reforça a previsão de um corte maior nos juros pelo Banco Central na próxima reunião do Copom, no dia 30 de outubro. A REAG, que antes do resultado do IPCA previam um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic, agora estima uma redução de 0,5 ponto percentual, para 5%.

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