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IPCA de +0,52% em julho vem acima do esperado e aponta movimento de recomposição de margens em alimentos

A inflação oficial, medida pelo IPCA, acelerou para 0,52% em julho, após registrar alta de 0,35% no mês anterior, resultado mais salgado do que o consenso do mercado previa: +0,45%. O principal vetor que sustenta a alta do mês foi o grupo Alimentação e Bebidas que progrediu 1,32%, a maior alta para julho desde 2000, quando apontou aumento de 1,78%. Na avaliação da REAG, a puxada de preços dos alimentos vai além do simples repasse de custos por conta das variações climáticas, mas deve-se também ao movimento de recomposição de margens dos produtores em um mercado inelástico como o de alimentos. Ainda assim, nos12 meses até julho, o avanço de 8,74% ficou abaixo da taxa apurada nos 12 meses imediatamente anteriores, de 8,84%. No ano, o IPCA acumula aumento de 4,96%, também abaixo dos 6,83% registrados em igual período do calendário anterior.

Nosso cenário aponta que os preços dos alimentos ao consumidor deverão apresentar altas mais amenas nas próximas leituras, dada a desaceleração no atacado, conforme sugerido pelos últimos IGPs. Apesar disso, não descartamos o elemento surpresa que vem se constatando mensalmente por conta do movimento de reconstrução das margens dos produtores, cuja quantificação é relativamente difícil de se mensurar. Para a próxima divulgação, em agosto, esperamos desaceleração do IPCA para algo entre 0,35% e 0,40%, diante da menor pressão vinda dos preços de alimentos, como sinalizam as deflações do IPA agropecuário da FGV. O resultado mais forte do IPCA de julho não modifica nossa previsão de arrefecimento da inflação ao longo dos próximos meses, reflexo da contração da atividade, da apreciação cambial e da expectativa de menor pressão na cadeia de alimentação. Assim, estimamos que o IPCA encerrará 2016 com inflação de 7,2%. Apesar de alertarmos sobre o movimento de recomposição de preços, mantemos nosso call de que o Copom somente iniciará o próximo cliclo de corte na Selic em outubro próximo, apesar de já se ouvir no mercado economistas postergando essa data para o ano que vem.

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