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Indústria tem maior alta em outubro desde 2013, mas processo não é espargido com produção ainda em níveis similares a 2009

A leitura da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de outubro reforça que a retomada da economia está em curso, mas que ainda é moderada e que o processo não é disseminado. Segundo o IBGE, a produção industrial brasileira registrou, em outubro de 2017 alta de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2016, ante variação interanual de +2,5% em setembro. É a maior alta neste tipo de comparação desde abril de 2013. Em relação a setembro, o avanço foi de 0,2%, a segunda alta mensal consecutiva após avançar 0,3% no mês anterior e recuar -0,8% em agosto. Apesar do avanço no mês, a produção da indústria está em níveis similares a 2009. Dessa forma, a média móvel trimestral terminada em outubro voltou para campo negativo (-0,1%) após se situar em alta por cinco meses consecutivos. A volatilidade nos últimos dados é esperada em momentos pós-crise, com o processo de retomada ainda heterogêneo. O aumento reflete a queda de juro, a gestão de política econômica melhor. A expectativa é que o setor comece a mostrar crescimento mais consistente daqui para a frente.

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A produção industrial expandiu-se a uma taxa não vista desde o início de 2013, sustentada por uma recuperação acentuada nos registros de pedidos. A quantidade de novos trabalhos recebida pelos provedores de serviços também aumentou, embora apenas marginalmente. Em relação ao nível de empregos, foram mencionados cortes adicionais entre as empresas de serviços, ao mesmo tempo em que foi registrado um crescimento pelo segundo mês consecutivo entre os produtores de mercadorias. Tendências divergentes também ficaram evidentes em relação ao sentimento positivo, com os fabricantes se mostrando os mais otimistas em nove meses e a confiança diminuindo no setor de serviços.

Contudo, ressaltamos que o avanço da produção industrial como um todo ainda não é muito forte. À medida que houver dissipação das incertezas, aprovação das reformas e um quadro mais favorável do mercado de trabalho, a recuperação tende a ficar mais sólida. Há ainda muitas dúvidas no ar em relação a 2018 por causa do ambiente político. Ou seja, não há dúvida de que o Brasil ingressou neste final de ano em um período de recuperação após mais de dois anos de recessão, em 2015 e 2016. O cenário político, com as incertezas em relação à aprovação da reforma da Previdência, é a principal ameaça à mudança desse quadro. Sem a reforma, cada mais difícil de ser aprovada ainda neste ano, o ajuste fiscal fica seriamente comprometido.

Para 2018, ainda que o cenário político de polarização no processo eleitoral, projetamos continuidade da recuperação da produção industrial, com avanço de 3,5%. O ciclo de flexibilização monetária deverá levar a taxa Selic para 7,0% até o final deste ano, podendo ficar abaixo deste patamar ao longo de 2018. Com isso, as condições de crédito, especialmente para pessoa física, deverão continuar melhorando e sustentando o consumo e a fabricação de Bens de Consumo. Já os Bens de Capital continuarão impulsionados pela produção de caminhões e ônibus, além dos investimentos em melhoria de maquinário e uma evolução menos negativa da construção civil. A indústria extrativa também avançará em ritmo semelhante ao observado este ano, tanto por conta de petróleo e gás natural como minério de ferro. Por fim, a projeção de câmbio mais desvalorizado, chegando próximo aos R$ 3,50 R$/US$ ao final de 2018, tende a favorecer a indústria nacional. Projetamos que a indústria volte a crescer 2,4% este ano, após amargar perdas nos dois anos anteriores (-8,2% em 2015 e -6,6% em 2016). A situação deve ficar melhor em 2018, quando esperamos que a produção industrial registre alta de 5%.

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