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Indústria fica estagnada em junho e ritmo de recuperação perde força ainda por conta dos efeitos da pandemia

A produção industrial no Brasil ficou estagnada no mês de junho último, com variação nula (de 0,0%) relativamente ao mês anterior, maio, quando o indicador registrou expansão de 1,4%. Esse é o segundo trimestre seguido de perdas, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE, e apesar de o resultado da indústria como um todo ter sido de estagnação, três das quatro grandes subcategorias e 14 das 26 atividades analisadas na pesquisa registraram queda na produção no mês. A indústria enfrenta adversidades que vão muito além das consequências diretas das medidas de restrição exigidas pela pandemia do Covid-19, como arrefecimento do ritmo produtivo, queda na oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção. A recuperação do segmento industrial demanda não apenas uma melhor equalização dos efeitos adversos da pandemia, como por exemplo a readequação das cadeias produtivas, mas exige ainda mais musculatura por parte da demanda doméstica, que por sua vez precisa de mais pessoas sendo absorvidas pela força de trabalho e melhora considerável no que diz respeito à inflação e estabilidade de preços. Em outras palavras, ainda pesam contra a recuperação da indústria o peso do aumento do desemprego no país, com consequente comprometimento da massa salarial sobre o consumo.

Além disso, apesar de a leitura mensal do indicador posicionar o setor no mesmo patamar pré-crise sanitária (em fevereiro de 2020), observa-se uma significativa preponderância de taxas negativas entre as principais atividades industriais que o compõem. Ademais, ao se manter no patamar de fevereiro de 2020, antes do início da pandemia, a indústria opera em nível semelhante ao que era observado em fevereiro de 2009. Isso quer dizer que entre os altos e baixos da indústria entre 2009 e 2021, todos os ganhos foram por água abaixo, o equivalente a uma perda líquida de cerca de 16,7% do seu ponto mais alto, conquistado em maio de 2011. Em janeiro de 2021, quando a indústria comemorava nove taxas positivas seguidas, a distância do indicador apurado na época comparativamente ao pico da série era de 13,8%.

Diante destes resultados apresentados pela pesquisa, a indústria nacional fechou o segundo trimestre do ano com queda de 2,5% na comparação com o primeiro trimestre. Essa foi a segunda taxa trimestral negativa seguida nesta base de comparação (trimestre contra trimestre imediatamente anterior). Destarte, o resultado do 2º trimestre na comparação com o mesmo trimestre do ano passado foi de aumento de 22,6%, acumulando crescimento de 12,9% no semestre na comparação com o segundo semestre do ano passado. Já em relação a junho de 2020, a indústria apontou expansão de 12%, a 10ª décima taxa positiva consecutiva nesta base de comparação. Também foi registrado novo avanço do indicador acumulado em 12 meses, que passou de 4,9% em maio para 6,6%, o que demonstra manutenção do ritmo de retomada do crescimento da produção industrial iniciada em agosto do ano passado, quando apresentava queda de 5,7%. Salientamos aqui que a alta na taxa acumulada em 12 meses decorre de uma base de comparação muito enfraquecida, lembrando que no primeiro semestre de 2020 o setor acumulou perda de 10,9%.

Das quatro grandes categorias econômicas, apenas bens de capital registrou avanço na produção. Foi a terceira taxa positiva nessa comparação, acumulando crescimento de 5,9% nesse período. Já a queda mais acentuada foi observada em bens de consumo semi e não duráveis, eliminando parte do avanço de 3,6% registrado no mês anterior, quando interrompeu três meses seguidos de queda, período em que acumulou redução de 11,5%. Para as 26 atividades investigadas, 14 registraram queda na produção em junho. O tombo mais acentuado veio de veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,8%), que voltou a recuar após crescer nos meses de abril (1,6%) e maio (0,3%). Também se destacaram negativamente as atividades de celulose, papel e produtos de papel (-5,3%), que teve a terceira taxa negativa seguida, acumulando perda de 8,4% no período; e a de produtos alimentícios (-1,3%), cujo resultado eliminou parte do avanço de 2,9% registrado em maio. Outras contribuições negativas importantes partiram de produtos de metal (-2,9%), indústrias extrativas (-0,7%), produtos diversos (-5,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,5%), móveis (-5,2%) e outros produtos químicos (-0,8%).

Para o ano de 2021 projetamos que a indústria registre expansão de 6,5%, devendo recuperar as perdas amargadas em 2019 (-1,1%) e 2020 (-4,5%), com perda dessa força no ano seguinte, em 2022, quando deve crescer 2,4%.

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