Possibilidade de volta do kirchnerismo enfraquece ânimo dos investidores e impacto sobre economia brasileira é real

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O resultado das primárias das eleições na Argentina deixaram o investidor apreensivo e impacto na economia brasileira é inevitável e real. A magnitude desse impacto, contudo, ainda é difícil de ser mensurado. A Argentina é um parceiro muito importante no setor automobilístico e no Mercosul, por onde pairam preocupações acerca das negociações comerciais com uma guinada política de nossos “hermanos”. Do lado macroeconômico, porém, a magnitude seria menor, já que as exportações para a Argentina representam apenas 5% de nossas vendas externas.

As primárias argentinas de domingo desnudam uma percepção que vinha se consolidando nos últimos meses: Cristina Kirchner, classificada de populista por analistas políticos, tem grandes chances de voltar ao poder. A chapa formada por Alberto Fernández e pela ex-presidente ganhou de lavada as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso), desbancando o presidente Mauricio Macri, que tenta a reeleição. Os oposicionistas tiveram 47,6% dos votos, contra 32,08% de Macri, num resultado que, caso se repita nas eleições de 27 de outubro, significará a vitória ainda no primeiro turno do kirchnerismo. Isso posto porque há uma percepção do mercado de que um eventual governo Alberto Fernández na Argentina seria uma volta ao passado, um passado intervencionista.

A notícia desencadeou reação intensa nos mercados, com os investidores temendo que a agenda de liberalização econômica seja substituída pela plataforma à esquerda do kirchnerismo – mesmo que a governo de Macri não tenha sido capaz de acabar com a inflação e retomar o crescimento. Os resultados das primárias também tem impactado outros mercados emergentes, sobretudo no Brasil, um dos principais parceiros econômicos da Argentina.

Apesar de uma possível mudança de rumo na política argentina ser sem dúvida, algo temeroso aos seus parceiros comerciais, o Brasil deve se manter firme na sua lição de casa com as reformas como a previdenciária e a tributária. Apesar de o cenário da atividade econômica no brasil ser ainda bastante fraca, o Brasil difere antagonicamente da Argentina por ser mais resiliente do ponto de vista dos fundamentos externos. O nível de reservas internacionais bem maior do que a dívida externa em moeda estrangeira e o forte fluxo de investimento estrangeiro de longo prazo são exemplos que distinguem a economia brasileira da argentina. Lembrando que a Argentina é um país com reservas internacionais praticamente nulas, endividamento elevado em dólares e déficit externo muito maior do que o investimento externo que recebe.

Category: Comentário Econômico, Comentário Político

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