Compartilhe este post

Em junho, o ingresso mensal líquido de investimentos estrangeiros no país vai ao menor nível em 5 anos, mas dado ainda é pontual

Os Investimentos estrangeiros Diretos no país (IDP) totalizaram USD 174 milhões em junho, segundo dados das Estatísticas do Setor Externo divulgados pelo Banco Central (BC). Para o período, a autoridade monetária projetava a entrada de USD 2,5 bilhões. Tal montante corresponde a uma queda de 96% comparativamente ao mesmo mês do ano passado, quando o indicador totalizou USD 5 bilhões. Esse é o patamar mensal mais baixo em 5 anos, ou seja, desde julho de 2016 (-USD 103 milhões), justificado basicamente por uma significativa redução dos empréstimos realizados pelas matrizes das empresas estrangeiras às suas subsidiárias localizadas no Brasil. De acordo com o BC, a leitura de junho foi impactada pela saída de USD 2,3 bilhões em operações intercompanhia, refletindo uma redução dos desembolsos nessa categoria. A conta de lucros reinvestidos no Brasil também ficou no vermelho, com as empresas estrangeiras preferindo por enviar às suas sedes montante de recursos superior ao lucro contabilizado no mês.

No acumulado do primeiro semestre, o ingresso líquido de investimentos diretos no país acumula resultado positivo de USD 25,6 bilhões, contra USD 23,7 bilhões no mesmo período do ano passado. Nos 12 meses encerrados em junho, o IDP totalizou USD 46,6 bilhões (3% do PIB), ante USD 51,6 bilhões (3,38% do PIB) no mês anterior e USD 65,8 bilhões (cerca de 4% do PIB) em junho de 2020. A expectativa do BC é que esses investimentos acelerem no segundo semestre e atinjam USD 60 bilhões até o fim do ano, valor acima do projetado pela REAG, de USD 52,7 bilhões para este ano. Em 2020, o número total foi de USD 44,6 bilhões.

Em contrapartida, os aportes em renda fixa, ações e fundos de investimentos tiveram um novo mês de fluxos fortes, de USD 5,1 bilhões, confirmando a recuperação dos ingressos, após o baque sofrido no ano passado. Além disso, o número de transações correntes bateu recorde em junho: +USD 2,791 bilhões e o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. Os dados refletem os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que desde março do ano passado tem reduzido o volume de importações de produtos. Ademais, o Brasil tem se aproveitado da maior demanda global por commodities. O BC projetava para o mês passado superávit de USD 6,5 bilhões na conta corrente.

No entendimento da REAG, o resultado do IDP de junho aparenta ser pontual e ainda não reflete uma tendência firme. De qualquer forma, o número do IDP de junho pode acender um alerta sinalizando que as empresas estrangeiras subsidiadas no Brasil não estão optando por reinvestir os lucros no país. É preciso esperar os próximos levantamentos do Setor Externo do BC para aí então podermos desenhar qualquer linha de tendência. O número parcial de julho já aponta uma recuperação dos ingressos, e a entrada de investimentos diretos no primeiro quadrimestre foi revisada para cima. Para julho, o BC estima IDP de US$ 4,7 bilhões, com base em dados preliminares, contra USD 3,6 bilhões estimados pela REAG.

Compartilhe este post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

5 + 4 =