O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no Brasil optou pela manutenção da Selic à taxa mínima histórica de 2% anuais, marcando o término de um ciclo de nove cortes consecutivos. A REAG projetou assertivamente a decisão do colegiado em setembro, como assim o fez a larga maioria dos gestores no mercado. A decisão foi unânime. Nossa expectativa é pela manutenção nesse piso mínimo até o final deste ano de 2020 e pelo menos até o terceiro trimestre do ano que vem.

O principal recado impresso no Comunicado da reunião desta quarta-feira foi a manutenção da prescrição futura como instrumento adicional de política monetária, assim como apesar de ponderar a assimetria no balanço de riscos, o Banco Central não pretende reduzir o grau de estímulos.

“De forma a prover o estímulo monetário considerado adequado para o cumprimento da meta para a inflação, mas mantendo a cautela necessária por razões prudenciais, o Copom considera apropriado utilizar uma “prescrição futura” (isto é, um “forward guidance”) como um instrumento de política monetária adicional. Nesse sentido, e apesar de uma assimetria em seu balanço de riscos, o Copom não pretende reduzir o grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022. Essa intenção é condicional à manutenção do atual regime fiscal e à ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo”, consta no comunicado.

 

Na visão da REAG, a opção do Copom por não tocar na Selic se deve basicamente aos três motivos listados abaixo:

  1. a retomada da economia está performando de forma benigna, considerando que a pandemia não acabou. Apesar de o IBC-Br de julho, divulgado no início desta semana, registrar crescimento de 2,15% no mês, abaixo da expectativa de 3,4% do mercado, o Boletim Focus indica uma melhora da perspectiva para a economia brasileira, com a perda da atividade econômica em 2020 revisada de -5,31% para -5,11%, resultado ainda 6,5% abaixo do nível pré-crise. O setor de serviços é o destaque negativo, 13% abaixo do patamar pré-crise segundo a PMS de julho. Chama atenção o varejo que está 4,26% acima de janeiro de 2020. Caso o aquecimento da economia resulte em puxadas inflacionárias, muito provavelmente isso será pauta do Copom no que diz respeito uma eventual subida da Selic antes do previsto;
  2. o choque nos preços dos principais itens da cesta básica, a saber o arroz e feijão, é temporário, tendo sido causado pelo período de entressafra e por aumento da demanda externa e;
  3. o nível de preços ao consumidor ainda apresenta bom comportamento, a despeito da pressão nos preços de alimentos. A projeção do IPCA medida pela Pesquisa Focus aumentou pela 5ª semana consecutiva, de 1,78% para 1,94%, mas ainda menos da metade da meta oficial de 4%.

Na ata da reunião passada, a autoridade indicou que “não elevaria a taxa de juros, mas poderia reduzi-la” – apesar de limites à queda adicional de juros impostos “por questões prudenciais e de estabilidade financeira”. À época, o Copom enfatizou que essa prescrição estaria condicionada, em boa medida, às expectativas (de mercado e do próprio Banco Central) para a inflação e à “manutenção do regime fiscal”. Desde então, a decisão pela manutenção da Selic em seu piso histórico condiz com o comportamento dessas duas condicionantes da prescrição futura, que evoluíram na direção de enfraquecer as chances de uma redução adicional da Selic.

Nos Estados Unidos, o Federal Open Market Committee (Fomc) também decidiu pela conservação dos juros na banda entre 0% e 0,25% em decisão de política monetária nesta quarta-feira. Adicionalmente, o comitê de política monetária do Banco Central norte-americano sinalizou que deve manter os juros perto de zero ao menos até 2023 para ajudar a economia dos EUA a se recuperar da pandemia gerada pelo coronavírus. O Fomc apontou que “espera manter essa postura de política monetária até que as expectativas de inflação fiquem bem ancoradas em 2% ao ano” o que, segundo as projeções do comitê, não ocorrerá antes de 2023. A REAG acredita que a taxa de juros próxima a zero deverá ser estendida por mais um ou dois anos após 2023.

A autoridade monetária nos EUA também reportou sua expectativa de manter o atual patamar de juro até que o mercado de trabalho tenha alcançado níveis consistentes com avaliações de pleno emprego, reiterando o compromisso de usar todas as ferramentas para apoiar a economia americana. Outra sinalização foi de que a autoridade monetária vai manter as compras dos títulos do Tesouro norte-americano e de ativos lastreados por agências pelo menos no atual ritmo, de forma a auxiliar a estimular as condições financeiras acomodatícias.

DISCLAIMER: as informações e projeções contidos neste e-mail refletem o posicionamento econômico da REAG INVESTIMENTOS e não refletem necessariamente a opinião pessoal do(s) seu(s) autor(es).

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