O novo capítulo da crise política deflagrada com a divulgação do áudio com a conversa entre Joesley Batista (em delação premiada), dono do grupo JBS, e o presidente Michel Temer completa hoje uma semana e até o momento fez a economia doméstica amargar perda em torno de R$ 200 bilhões. Apenas a Ibovespa acumula queda de 7,2% e o valor de mercado das empresas listadas, registrou perda de R$ 185 bilhões. Além disso, o dólar comercial passou de R$ 3,12 na quarta-feira passada antes para cerca de R$ 3,27, uma alta de 4% ou R$ 0,15 em apenas quatro pregões. Além disso, as reformas da Previdência e Trabalhista, consideradas fundamentais para o ajuste fiscal e a recuperação da confiança dos agentes econômicos, estão praticamente paradas. No Congresso, a leitura do relatório da reforma trabalhista no Senado não foi concluída e o projeto que muda as regras da aposentadoria não voltou a ser discutido.

As agências de classificação de risco também reagiram mal às novas denúncias, embora não tenham anunciado rebaixamento na classificação do Brasil. Para a Moody’s, as denúncias de Joesley Batista contra o presidente Michel Temer prejudicam a perspectiva de crédito do país e ameaçam “paralisar ou reverter o positivo momento político e econômico observado recentemente”. Já a agência de classificação de risco Fitch afirmou que a crise política eleva a incerteza sobre a aprovação das reformas da Previdência e Trabalhista e também abalam a recuperação econômica. A Moody’s manteve inalterada a nota de crédito soberana do Brasil, em “BB” (abaixo do grau de investimento, espécie de selo de bom pagador), com perspectiva negativa. A Fitch manteve os ratings de longo prazo do Brasil, em moedas estrangeira e local, em BB. Já os ratings de curto prazo em moedas estrangeira e local foram reafirmados em B. O teto do país, por sua vez, permanece sendo BB+.

Menos otimistas, os bancos e as corretoras que apostavam em um corte mais forte da Selic, de 1,25 ou até 1,5 ponto porcentual, já estão revendo para baixo suas previsões da próxima reunião do Copom, que acontece nos dias 30 e 31 de maio. Essa mudança de apostas aparece no mercado futuro: a taxa dos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2019 (o mais negociado) passou de 8,81%, em 17 de maio, para 9,89% nesta quarta-feira.

Na nossa avaliação, frente à crescente incerteza política, ao déficit fiscal e a um real mais fraco devem levar o Banco Central a ser um conservador no corte dos juros básicos. Contudo, diante da perspectiva de uma economia e de um mercado de trabalho ainda fraco ainda exigirá manter o afrouxamento da política monetária no curto prazo. Assim, reiteramos nosso call de que o Banco Central cortará em 100 basis-point a taxa básica de juros para 10,25% a.a..

A crise instalada no governo coloca ainda em risco o andamento do pacote de concessões anunciado pelo governo em março: 55 novos projetos, contemplando terminais portuários, linhas de transmissão, ferrovias e rodovias, com investimentos estimados em R$ 45 bilhões. As concessões são consideradas fundamentais para impulsionar os investimentos, empregos e a atividade econômica.

Nesse sentido, a incerteza é o maior paralisador da economia, porque, sem saber o que virá pela frente, consumidores não gastam e empresários não investem nem contratam funcionários esperando uma definição de cenário. Diante disso, a retomada do crescimento, que era esperada para o segundo semestre do ano, pode ficar para o ano que vem.

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