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Decisão unânime do Copom, câmbio e inflação mais fracos, sinalizam corte na Selic mais próximo

Indo de encontro com a expectativa predominante de mercado, a reunião do Copom foi além de apenas manter a Selic em 14,25% ao ano, ontem à noite, sinalizando a breve possibilidade de um corte na taxa básica de juros, algo que não acontece há praticamente quatro anos. A REAG sustenta sua interpretação ao fato de dois dos oito membros do Copom terem alterado seus votos. Há duas reuniões eles vinham votando pela alta da Selic e ontem se renderam à maioria ao votarem pela conservação da taxa no atual patamar. A decisão, logo, foi unânime pela primeira vez desde outubro passado. Com a Selic congelada pela sexta vez consecutiva, o juro básico se manteve estagnado pelo maior período de tempo desde 1999, quando o país adotou o sistema de metas de inflação.

Frente à decisão unânime do Copom, ao arrefecimento do câmbio e da inflação, a REAG reitera sua posição de que o corte na Selic possa acontecer no início do primeiro semestre do ano, possivelmente em agosto próximo. Essa posição, contudo, fica mais frágil frente à crise política e à possibilidade de que até a próxima reunião do Copom, agendada para o começo de junho, ocorram mudanças relevantes nos membros do Copom, caso até lá já esteja confirmado um eventual governo Michel Temer, se o impeachment da presidente Dilma Rousseff for aprovado pelo Senado.

Além disso, a aposta da REAG de que a Selic caia para 13,75% em agosto, fica mais forte com o comunicado da reunião no qual o “comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação”, apesar de ponderar que o “nível elevado da inflação em 12 meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para flexibilização da política monetária”.

 
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De fato, a alta dos preços perdeu a intensidade nas últimas semanas. A inflação medida pelo IGP-M cedeu para 0,33% em abril, após marcar 0,51% em março, influenciada pela desaceleração dos preços tanto no atacado quanto no varejo. No acumulado do ano, o IGP-M apresentou alta de 3,30% e, em 12 meses, avançou 10,63%, divulgou hoje a FGV. Além disso, o IGP-10 ficou em 0,4% em abril, taxa menor que as de março (0,58%) e abril de 2015 (1,27%). O IPCA do mês de março apresentou variação de 0,43%, menos da metade da taxa de 0,90% de fevereiro. Desde 2012, com o IPCA de 0,21%, não havia registro de resultado mais baixo nos meses de março. Para abril, a REAG projeta que o IPCA veia com alta de 0,54% no mês e 9,2% no acumulado de 12 meses.

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