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Corte no preço da gasolina é ato mais simbólico do que efetivo no curto prazo

A redução anunciada hoje nos preços da gasolina e do óleo diesel pela Petrobras deve ser entendida como um gesto mais simbólico do que efetivo, visando engordar as justificativas da próxima decisão do Copom para iniciar o ciclo de descompressão na política monetária. Aliado ao dólar mais comportado (abaixo de R$ 3,20), à forte desaceleração do IPCA (que passou de 0,44% em agosto para 0,08% em setembro) e à aprovação da PEC dos gastos públicos (em primeiro turno na Câmara dos Deputados), a redução do preço dos combustíveis nas refinarias sustentará a decisão de o Banco Central cortar a Selic em pelo menos 0,25 ponto porcentual na reunião do Copom de outubro.
Vale a ressalva que um corte no preço ao produtor da gasolina de 3,2% e do óleo diesel de 2,7% pode ou não ser integralmente repassado para o consumidor final, dependendo da motivação dos demais agentes da cadeia produtiva. Isso porque o repasse dessa queda de preço depende de decisões das distribuidoras e dos postos de revenda, uma vez que o mercado não é controlado. O preço será reajustado amanhã nas refinarias, que poderá ser repassado para as distribuidoras e para os postos somente após a venda dos estoques antigos pelo custo mais alto. Na avaliação da REAG, o cenário recessivo, com forte contração da demanda, estimulará o repasse praticamente integral do corte nos preços das refinarias para os postos, demorando de dois a quatro meses para chegar às bombas, ser sentido no bolso dos motoristas e aparecer nos índices de inflação. Em outras palavras, o anúncio da Petrobras não afeta efetivamente a inflação neste ano.
A REAG estima que, se a queda de preços concedida pela Petrobras às refinarias for repassada integralmente para o consumidor final, a gasolina ficará entre 1,2% e 1,8% mais barata, enquanto a diminuição para o óleo diesel será de 1,5% até 2,0%. Em média, uma economia de R$ 0,05 por litro ao final do primeiro trimestre de 2017. Além disso, o anúncio da Petrobras também deve ser interpretado como uma iniciativa de inaugurar uma nova política de preços de combustíveis alinhada com o comportamento dos preços internacionais. Assim, há espaço para redução de preços dos combustíveis derivados de petróleo, dado o fato da crescente importação de combustíveis a um preço mais barato do que vem sendo praticado no mercado doméstico. De qualquer forma, a decisão da Petrobras tem como objetivo dar a ideia de que a economia está entrando nos eixos, com vistas a elevar o nível de confiança de consumidores e empresários.
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