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Copom reduze a Selic para 6,75%, a menor taxa desde 1999

O Copom do Banco Central anunciou há pouco a redução da Selic em 0,25 ponto porcentual, para 6,75% ao ano, por votação unânime sem viés. Essa era a expectativa da REAG, posicionando a taxa básica de juros ao seu menor patamar desde 1999, quando a instituição passou a divulgar metas para o índice como ferramenta de política monetária. Foi a 11ª redução consecutiva da taxa de juros e se sustenta pela grande ociosidade deixada pela crise, que deve fazer o país crescer sem grandes pressões inflacionárias do lado da demanda. A decisão, amplamente esperada pelo consenso de mercado foi praticamente anunciada na ata de dezembro. Como nada de extraordinário aconteceu desde então, o mercado já precificava esse corte. De qualquer forma, fixar a Selic em 6,50% ou em 6,75% pouca diferença faz para um mercado que se acostumou a ver os juros na casa dos dois dígitos ao longo dos últimos quatro anos.

A trajetória de queda da Selic começou em setembro de 2015, quando o índice cravava 14,25%. A inflação, porém, batia quase 10% na época, deixando os juros reais muito parecidos com os atuais. Reformas como a da Previdência são essenciais para os juros do país caiam abaixo dos 7% e se assemelhem a patamares de países desenvolvidos. Esse cenário, no entanto, parece cada vez mais distante. Além disso, o fim da ociosidade na indústria a partir de 2019 deve fazer com que o crescimento aumento a pressão inflacionária.

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Nesta semana, o Relatório Focus do Banco Central aponta que no final do ano a taxa Selic estará em 6,75%. Portanto esse seria o último corte. Mas acreditamos que há margem para novo corte de juro na reunião de março. Isso porque, apesar de minguantes as expectativas de aprovação da reforma da previdência neste início de ano, o Banco Central pode considerar apropriado um pouco mais de estímulo à economia, dada a magnitude da ociosidade estimada, o balanço de riscos em torno do cenário base (que pode ser influenciado pela recente apreciação do Real) e o ritmo lento de convergência da inflação para a meta. Assim, mantemos nossa visão de que o fim do ciclo só virá em março, com um corte final de 0.25 p.p., levando a taxa Selic para 6,5%.

Apostamos ainda que a taxa Selic terminará o ano em 6,5%, devendo iniciar novo ciclo de aperto monetário a partir de maio de 2019. Nossa expectativa é que a taxa básica de juros feche o ano que vem em 8%, por conta da lenta retomada da economia, do retardo nas reformas estruturais e de certa pressão sobre preços. Com os resultados de inflação abaixo do esperado – e cenário favorável para a manutenção em um patamar baixo, o Banco Central ganhará espaço para postergar o aumento da taxa de juros para 2019, apesar dos sinais de retomada mais consistentes da atividade.

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