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Copom reduz Selic em 75 pontos e comunicado indica corte maior na próxima reunião

Sem surpresa, o Copom do Banco Central reduziu a Selic em 0,75 ponto percentual, para 12,25% a.a. A decisão foi tomada por unanimidade e resultou na preservação do ritmo de flexibilização monetária adotado na primeira reunião do ano, confirmando a expectativa preponderante no mercado, da qual a REAG compartilhava. Esse é o quarto corte consecutivo desde outubro do ano passado. Com isso, a taxa básica de juros atinge seu menor valor desde janeiro de 2015. Em janeiro, o Copom havia aumentado o ritmo de cortes para 0,75 ponto porcentual, surpreendendo o mercado após duas reduções seguidas de 0,25 ponto porcentual. Na época, o comitê justificou a decisão devido à inflação e à atividade econômica em ritmo mais fraco do que o previsto. A justificativa da decisão se sustenta basicamente sobre o abrandamento da inflação.

Destacamos, contudo, algumas novidades no comunicado: a inclusão das “estimativas da taxa de juros estrutural” como fator a condicionar “a extensão do ciclo de flexibilização monetária” e “a importância da aprovação e implementação das reformas (…) para a redução da taxa de juros estrutural”. Além disso, o comunicado também ressaltou “que uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo”, além da “evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação”. Em outras palavras, o Copom parece não descartar uma nova intensificação no ritmo de corte da Selic na sua próxima reunião, agendada para 12 de abril.

Assim, é factível afirmar que o Banco Central se manterá firme no atual ciclo de flexibilização da taxa básica de juros, objetivando colocar a Selic nominal em um patamar de taxa de juro real neutra. Estimamos que a taxa de juro real neutra da economia brasileira é compatível com uma Selic nominal entre 9% e 10% ao ano, de modo que a política monetária se mantenha contraída. Além disso, o hiato do produto, atualmente dentro de um ambiente desinflacionário, indica haver espaço de manobra para que a Selic seja colocada em um patamar abaixo do considerado neutro.

As projeções macroeconômicas do cenário básico da REAG sugerem que o atual ciclo de flexibilização permitirá a redução da Selic para 9,5% até o final deste ano. Contudo, após o comunicado passamos a considerar aceitável a probabilidade de o Banco Central adotar um ajuste monetário superior aos últimos 0,75 pontos-base na próxima reunião do Copom. Dependendo do teor da ata do Copom, a ser divulgada na semana que vem, é possível alterarmos nossas projeções para a Selic neste ano.

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