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Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de alta de juros mas Brasil ainda é o país com a maior taxa real de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano nesta quarta-feira, encerrando o ciclo de alta iniciado em março de 2021. A decisão que dessa vez não foi unânime, com dois votos a favor de mais uma elevação da Selic em 0,25 ponto porcentual, veio em linha com a expectativa da REAG, alinhado com a mediana do consenso de mercado, além de também vir em consonância à sinalização do colegiado na reunião de agosto, quando a autoridade monetária comunicou que avaliaria “a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude” para a decisão de setembro, deixando a porta aberta para uma nova alta de 0,25 ponto porcentual, mas sem descartar a manutenção. O Copom de setembro decidiu por elevar a Selic em 0,5 ponto porcentual, para 13,75% ao ano.

Em comunicado, o Copom aponta que, apesar da manutenção, não está descartada nova alta caso “o processo de desinflação não transcorra como esperado.” “O Comitê se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação. O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso.”

A decisão do Copom emerge de um ambiente ainda contaminado pelas expectativas de inflação ainda bastante longe da meta, apesar de as últimas projeções da REAG apresentarem reduções sequenciadas, atreladas majoritariamente à redução de impostos sobre combustíveis e energia e às recentes reduções nos preços dos insumos da Petrobras vendidos às distribuidoras.

No comunicado, o Copom afirma haver riscos de alta e de baixa para a inflação. No cenário de alta seguem a inflação nos outros países e, no de baixa, uma desaceleração da economia global. “O Comitê avalia que a conjuntura, ainda particularmente incerta e volátil, requer serenidade na avaliação dos riscos”, informou o Comunicado.

Com isso, o Comitê sinalizou que a decisão de manter os juros estáveis “reflete a incerteza ao redor de seus cenários”, mas é “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2023 e, em grau menor, o de 2024.”

Na comparação dos dois últimos boletins Focus, as estimativas para o IPCA em 2022 recuaram de 6,40% para 6,0%. Para 2023, o levantamento do Focus vê o IPCA também recuar de 5,17% para 5,01%.

A REAG acredita que a autoridade monetária aproveitará esse momento de calmaria na inflação para pausar o aperto monetário e avaliar como os preços se comportarão dado que o cenário econômico à frente é de incertezas tanto no front doméstico (eleições) quanto no front internacional (guerra no Leste Europeu). As expectativas de inflação têm melhorado, com dados mais benignos tanto para a atividade quanto para o mercado de trabalho. Ou seja, com a demanda mais fortalecida e a possibilidade de desinflação no curto prazo, a REAG vê a manutenção dos juros no atual patamar por um período mais longo.

Na comparação dos dois últimos boletins Focus, as estimativas para o IPCA em 2022 recuaram de 6,40% para 6,0%. Para 2023, o levantamento do Focus vê o IPCA também recuar de 5,17% para 5,01%. A REAG projeta o IPCA em 6,1% em 2022 e em 5,0 para o ano que vem.

Na avaliação da REAG, as duas últimas leituras mensais do IPCA apresentam desaceleração, o que não é por si só suficiente e necessário para assegurar legitimamente que que a inflação está domada. Em outras palavras, apesar de 2 meses de deflação registrado pelo IPCA, muito por conta dos ajustes tributário e reajustes da Petrobras, sete dos nove grupos do levantamento de preços ainda apresentaram alta em agosto. Expurgando combustíveis e energia do IPCA, ainda teríamos inflação no mês passado. Ou seja, a inflação ainda segue muito disseminada pela economia

A REAG projeta que a Selic permanecerá em 13,75% até o final deste ano, se mantendo nesse patamar até o segundo trimestre do ano quando deverá ser discretamente cortada devendo fechar o ano de 2023 em 11%.’

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