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Copom ignora melhora no cenário externo e mantém postura de cautela

Conforme amplamente esperado, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,50% para 11,75% a.a … Mais importante, o comitê manteve a sinalização em seu comunicado de que pretende prosseguir com aquele ritmo de cortes nas próximas reuniões. A decisão frustrou parte dos analistas que acreditavam que o Copom indicaria um afrouxamento monetário mais agressivo já no início do próximo ano.

Cenário externo evoluiu favoravelmente. Vale destacar a avaliação do Copom de que, embora ainda volátil, o cenário internacional se tornou menos incerto nas últimas semanas, com a redução nas taxas de juros (de mercado) nos EUA a partir de sinais de acomodação nos núcleos de inflação.

Riscos domésticos continuam exigindo cautela. Apesar de reconhecer a melhora recente na dinâmica da inflação, prevaleceu novamente a percepção do comité de que o processo de desinflação se encontra ”em um estágio mais lento”. Isso, juntamente com a ”reancoragem ainda parcial” nas expectativas de inflação, continua demandando ”serenidade e moderação na condução da política monetária”.

Projeções do modelo acima da meta. Outro elemento que justifica a opção do Copom pelo gradualismo foi a relativa estabilidade das projeções divulgadas pelo Banco Central para a inflação. De fato, a projeção para 2024 (principal horizonte para a política monetária no momento) recuou marginalmente de 3,6% para 3,5%, bem acima da meta oficial de 3,0%.

Olhando à frente, a grande questão que se coloca é se a mudança recente na postura dos Bancos Centrais poderia alterar a estratégia gradualista do nosso BC. Com o fim do ciclo de aperto monetário nas economias avançadas – e, como reconheceu o Fed na reunião de ontem, a possibilidade de cortes na taxa de juros no horizonte próximo – abre-se a possibilidade de o BC abandonar o gradualismo e acelerar o ritmo de queda da Selic.

Embora essa possibilidade seja de fato plausível, não acreditamos na mudança de estratégia da nossa autoridade monetária. Em primeiro lugar, como o próprio BC reconhece, as expectativas de inflação ainda não se encontram totalmente ancoradas. Em segundo lugar, o cenário fiscal permanece bastante incerto, com o governo enfrentando dificuldades na implementação das medidas necessárias para garantir uma melhora no preocupante quadro para as contas públicas no próximo ano. Por fim, a preferência do BC parece ser por uma taxa Selic mais baixa ao final do ciclo de afrouxamento monetário; nesse sentido, o gradualismo configura-se como estratégia mais adequada, já 1 que o ganho de credibilidade decorrente permitiria uma ancoragem mais eficiente das expectativas de inflação.

Dessa forma, antecipamos que o Banco Central manterá o ritmo de cortes da Selic em 0,50% por reunião. Diante do ambiente internacional mais benigno, e com sinais mais contundentes de moderação da atividade econômica doméstica, revisamos nossa projeção para a taxa Selic ao final de 2024 de 9,5% para 9,0%.

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