Quanto mais próximos ficamos do final deste ano, solidifica-se a perspectiva de que é diminuto o espaço para mudanças na política econômica no curto prazo e que mudanças mais profundas terão de aguardar 2019. A esperança de algo diferente ocorrerá recai sobre a possível aprovação de uma emergencial reforma da Previdência, em formato mais enxuto que a proposta original. E caso nada de novo aconteça no Congresso Nacional, as expectativas benignas dos agentes econômicos provavelmente vão se dissipar velozmente, ficando apenas em compasso de espera do que virá pela frente no ainda indefinido ano eleitoral de 2018.

Deixando um pouco de lado as incertezas que preenchem o vazio do ano que vem, entre as poucas certezas destacamos a consolidação da recuperação econômica. Os indicadores de atividade divulgados recentemente sustentam que finalmente saímos do buraco da recessão e rumamos em direção ao crescimento, o qual deve ser mais difundido pela ótica da demanda, com todos os componentes do PIB crescendo, inclusive o investimento, que deverá subir após vários trimestres de contração. Apesar dessa certeza, é difícil sentir na pele os bons ventos da recuperação porque a atividade ainda se encontra significativamente abaixo do que era antes da recessão. A melhora na economia ainda demorará a acontecer por completo dada as perdas profundas nos últimos anos. A produção industrial, por exemplo, subiu 0,2% em outubro e acumula alta de 1,9% no ano, mas ainda se encontra em níveis similares aos de 2009.

Estamos também certos da recuperação do consumo das famílias, o que reflete a melhora dos fundamentos econômicos dentro dos domicílios, com a redução do endividamento das famílias, a retomada do crédito ao consumidor, o aumento do poder de compra (em função da queda no nível de preços) e a melhora nas condições do mercado de trabalho. Outra certeza a destacar: os juros devem cair mais em dezembro, chegando a 7% ao ano, o menor nível da história desde o Plano Real. A autoridade monetária está confortável para reduzir novamente a Selic porque a inflação recuou e agora está abaixo de 3%, o piso da meta. Para o IPCA de novembro a previsão é de que o acumulado em 12 meses chegue à casa dos 2,8%. A melhora da economia é em relação ao passado recente. Há outras boas “certezas” no horizonte, como a perspectiva de mais um ano de inflação comportada e contas externas equilibradas.

Apesar das certezas benignas que marcarão o ano de 2018, também estamos certos de que atividade não voltará aos patamares pré-crise e que a incerteza política e eleitoral gerará estresse no mercado financeiro, nos preços dos ativos e, consequentemente, na confiança dos agentes econômicos.

PIB

O resultado do 3T17 levou parte dos especialistas a revisar suas estimativas. No 1º relatório Focus de dezembro, as projeções apontam para alta de 0,89% no ano, mais que o 0,73% da edição anterior. Apesar de a economia ter registrado crescimento de apenas 0,1% no terceiro trimestre, lembramos que o IBGE também revisou para melhor as taxas dos períodos anteriores, com o PIB crescendo mais no começo do ano. No primeiro trimestre, a alta foi de 1,3%, seguida de novo avanço de 0,7%. Para 2018, a mediana subiu ligeiramente e marca agora 2,6%. Apesar do movimento revisionista, a REAG mantém sua projeção para o PIB de 2017 em +0,7%, com +2,8% em 2018.

Atividade

Em novembro, os dados de atividade econômica foram positivos, mesmo sem os estímulos não recorrentes de demanda. O varejo restrito de setembro cresceu 0,5% (MoM), encerrando o 3T17 com alta de 0,6% (ToT): destaque para o setor de super e hipermercados (1,4%, ToT). No conceito ampliado, que inclui veículos e material para construção, a alta foi de 1,0% (MoM). Com isso, o varejo ampliado avançou 2,3% (ToT) no 3T17, movimento que foi liderado pelas vendas de veículos (4,9%, ToT). A produção industrial por sua vez mostrou expansão de 0,2% (MoM), fechando o 3T17 com elevação de 0,9% (ToT).

Mercado de Trabalho

A taxa de desemprego de outubro caiu de 12,4% para 12,2% (PNAD), refletindo a sazonalidade positiva de fim de ano. Houve incremento de 248 mil pessoas na população ocupada e redução de 221 mil indivíduos da população desocupada. Todavia, o setor informal liderou, mais uma vez, a geração de vagas (66,3%). Destaque para a geração de vagas de trabalhadores domésticos (84 mil) e sem carteira assinada (69 mil). A forte criação de empregos formais (CAGED) foi de 76,6 mil unidades em outubro, melhor para o mês desde 2013, já mostra indícios de recuperação do emprego formal. Ainda que frustrantes, os fracos resultados do CAGED e da PNADC para meses tipicamente aquecidos, como setembro e outubro, não são suficientes, na nossa opinião, para reavaliar as projeções de uma retomada vagarosa do mercado de trabalho até o final de 2018. Na verdade, o resultado fraco do mercado de trabalho parece ser mais um ruído na tendência de retomada dos últimos meses do que um indicativo de reversão da trajetória de queda.

Inflação

No campo dos preços ao consumidor, as notícias também continuam animadoras no curto prazo. No início de novembro, pouco antes da divulgação do IPCA de outubro, parecia cada vez menos provável que a inflação de 2017 fechasse abaixo de 3%. Efeitos sazonais entre os alimentos in natura e aumentos registrados em preços administrados antecipavam aceleração do IPCA. No entanto, com grande surpresa, o resultado do IPCA de outubro não foi na direção das expectativas e, mais uma vez, o grupo Alimentação e Bebidas registrou leitura negativa, na sua sexta queda consecutiva. Tal comportamento compensou parte da aceleração registrada pelos preços administrados. Para o ano fechado a inflação deve ficar próxima de 3%. Para 2018 projetamos que a inflação poderá avançar para 4,8%, superando a meta estabelecida de 4,5%.

Política Monetária

Sobre o padrão de comportamento da inclinação da curva de juros e os ciclos monetários, destacamos que quando os juros de política se aproximam do que se imagina ser seu ponto mais baixo do ciclo, é natural esperar que os próximos movimentos dar-se-ão em sentido contrário. Porém, a forte inclinação da curva de juros atualmente observada tem a ver, fundamentalmente, com apreensões relacionadas com as eleições que se aproximam e com a baixa probabilidade de aprovação da reforma da Previdência.

Política Fiscal

Apesar de a composição do déficit nominal ter caído substancialmente em relação ao pico do início do ano passado, o déficit nominal ainda preocupa e é o dobro do observado em 2002 (8,8% do PIB em setembro de 2017).

Economia Internacional

Se a política de corte de impostos nos EUA for aprovada, o Fed poderá acabar subindo a taxa de juros mais rapidamente do que o esperado atualmente pelo mercado, impactando o fluxo de recursos para os países emergentes. O mesmo ocorrerá se a inflação nos EUA subir mais que o esperado. Isso ilustra o fato de que continuamos vulneráveis a uma deterioração do quadro externo. Mas, pelo menos por enquanto, as condições financeiras globais continuam expansionistas, contribuindo para a recuperação econômica dos países emergentes.

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