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Cenário Macroeconômico: ABRIL/2017 deve trazer sinais de que a recessão começa a se dissipar

Os indicadores econômicos divulgados nas últimas semanas robusteceram nossa percepção de que a crise econômica parece iniciar um processo de dissipação, gerando perspectivas menos pessimistas no cenário macro de médio e longo prazos. Isso não quer dizer que as dificuldades do lado real da economia tenham deixado de existir, nem muito menos que os desafios no âmbito político foram superados. Muito pelo contrário, as únicas certezas que temos é que a restrição fiscal será um obstáculo muito difícil de ser sobrepujado e que a tarefa de reerguer o mercado de trabalho será árdua e dolorosa. Em outras palavras, a reestruturação do cenário econômico será muito lenta e sujeita a turbulências.
PIB
O fato de o PIB ter caído todos os trimestres de 2016 gerou um elevado carregamento estatístico negativo para 2017: -1,1%. Isso indica que dificilmente teremos um desempenho excepcional do nível de atividade em 2017: nossa previsão é de um pequeno aumento, de 0,3%.
Inflação
Sobre o nível de preços, a taxa do IPCA de fevereiro, de 0,33%, foi a menor para o segundo mês do ano desde 2000. Ela deixou a inflação acumulada em 12 meses a apenas 0,26 ponto porcentual da meta de 4,5%, a distância mais curta desde janeiro de 2010. O IPCA de fevereiro ficou abaixo da maioria das previsões, indicando que a inflação vem caindo em ritmo que ainda surpreende. Essa rapidez se deve, principalmente, à forte desinflação do grupo alimentação no domicílio. Assim, caso não haja surpresas por conta das variações climáticas, a inflação do IPCA terminará o ano abaixo de 4%.
Na nossa avaliação, esse comportamento se deve, marginalmente à atuação do Banco Central na condução da flexibilização da taxa de juros, mas primordialmente à recessão, embora seja claro que ela sozinha não teria derrubado a inflação. Destacamos, assim, a evolução favorável do clima, que tem ajudado substancialmente a derrubar os preços de alimentos, depois da forte alta acumulada até meados de 2016. Isso posto, outro fator que tem contribuído indiretamente para a descompressão nos preços uma vez diz respeito à condução benigna do ajuste fiscal de longo prazo, como a aprovação da PEC do teto dos gastos e o encaminhamento da reforma da Previdência, as quais geraram percepção positiva nos agentes econômicos quanto ao futuro. Por fim o ambiente internacional, que permitiu mudança da percepção de risco, com queda dos prêmios de risco, especialmente no tocante aos países emergentes, tem beneficiando o Brasil.
Mercado de Trabalho
Mantemos nossa posição de que haverá aumento da taxa de desemprego no curto prazo, apesar das indicações de retomada do emprego formal em fevereiro, depois de longa sequência de quedas mensais. De qualquer forma, é fato que a normalização do mercado de trabalho acontecerá somente a partir de 2018.
O saldo de emprego formal medido pelo CAGED foi de criação líquida de 35,6 mil vagas em fevereiro, o primeiro resultado positivo em 22 meses. Muito dessa alta na geração de emprego formal foi devida ao efeito sazonal característico do início do ano. Quando realizado o ajuste sazonal, o saldo do CAGED é negativo: corte de 38 mil vagas. Apesar do resultado negativo com ajuste sazonal, é um patamar nitidamente melhor do que o registrado em janeiro: negativo em 87,3 mil vagas. Já a PNAD Contínua mostrou forte piora da taxa de desemprego em janeiro: 12,6%, alta de 0,6 pp com relação a dezembro. Apesar dos resultados positivos de fevereiro, nossa expectativa em relação ao nível de desemprego se mantém com piora em 2017 e estabilidade somente a partir de 2018.
 Atividade
É grande a probabilidade de o desempenho do nível de atividade apresentar crescimento no primeiro trimestre deste ano, o que seria a primeira taxa positiva após um longo inverno de perdas seguidas. Esse comportamento estaria bastante correlacionado ao desempenho positivo do setor agropecuário e do setor de extração mineral.
 Consumo
Pelo lado da demanda, o consumo se manterá em terreno negativo no primeiro trimestre. Projeta-se queda de 1,9% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A partir do segundo trimestre, no entanto, espera-se uma contribuição positiva dos recursos do FGTS liberados para saque, que deverão impactar favoravelmente as vendas do comércio varejista ao longo do ano. Nenhuma boa nova, porém, no que diz respeito ao investimento fixo.
Setor Externo
Acumulam-se evidências de que o superávit da balança comercial em 2017 será menor do que no ano passado. Eventuais dificuldades nas exportações de carnes poderão acentuar essa queda, por conta da Operação Fraca. De qualquer forma, as previsões são de que o déficit em transações correntes, mesmo se maior que no do ano passado, não enfrentará dificuldades para ser financiado.
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