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Carta Mensal : Fevereiro 2024

Comentário Econômico

Por: Marcelo Fonseca, economista-chefe da REAG Investimentos
e Saulo Holzmann, estrategista da REAG Investimentos

 

Comportamento dos mercados no mês

O mês de fevereiro foi positivo para o mercado de ações global, mas não para a Renda Fixa
(bonds). A convicção dos investidores de que o FED (BC norte-americano) iria iniciar um
processo de flexibilização monetária já no primeiro trimestre arrefeceu à luz dos recentes
dados de inflação, além de indicações da autoridade monetária sinalizando não haver
pressa em iniciar o ciclo de queda dos juros, hoje em 5,50%. Com essas apostas migrando
para o segundo semestre, houve prejuízo importante para o rendimento de bonds no mês.
Vale destacar a continuidade do rally das ações de tecnologia e o “frenesi” específico em
relação às ações de Nvidia (fornecedora de microchips especializados para o segmento de
Inteligência Artificial-AI) e seu impacto sobre o desempenho da bolsa americana. O Brasil
teve um mês neutro, sem destaques. O Ibovespa apresentou resultado marginalmente
superior ao CDI, enquanto os índices de Renda Fixa (Índices Anbima) tiveram resultado
positivo, mas abaixo do CDI do mês. O Real sofreu leve desvalorização frente ao Dólar. No
ano acumulado, o CDI ainda lidera o ranking de rentabilidade entre os principais ativos de
mercado.

 

Mercados Globais

A inflação global, apesar de ter superado as projeções dos analistas no mês passado,
continua apresentando tendência de queda, convergindo gradualmente em direção à meta
de 2,0% a.a. dos principais bancos centrais. Isto, combinado a índices de atividade melhores
do que o esperado (especialmente nos EUA), tem reforçado o cenário de uma economia
global saudável, confirmando o “soft landing”. Esperamos a continuidade deste ambiente
benigno ao longo do primeiro semestre, mas antecipamos desaceleração da atividade
econômica global e aumento dos riscos a partir de meados do ano, principalmente com a
proximidade da eleição americana (risco Trump) em novembro e seus potenciais impactos
no xadrez geopolítico. Também monitoramos os efeitos dos eventos climáticos e/ou
militares, que podem agravar-se, afetar o comércio mundial e pressionar novamente a
inflação – comprometendo o ciclo de queda dos juros e a frágil recuperação da economia
global. Com este pano de fundo, iniciamos 2024 com uma alocação nas carteiras globais
mais voltada para a Renda Fixa do que para a Variável, decorrente da combinação do retorno
ainda atrativo na Renda Fixa que deverá girar em torno de 2,5% no ano, acima da inflação
mundial. Além disso, entendemos que a perspectiva de crescimento de lucro nas empresas
está exagerada, considerando o menor crescimento do PIB global em 2024, em um
contexto de “valuation” elevado no mercado de Renda Variável.

 

Mercado Doméstico

Até o momento, o ano de 2024 ainda não “gerou frutos” para os ativos financeiros locais. A bolsa,
representado pelo índice Ibovespa, está em território negativo no ano (-4%); os Índices de Renda
Fixa, embora com retornos nominais positivos, apresentam desempenho inferior ao CDI; já o Real se
desvalorizou 2,5% no período em relação ao Dólar. Apesar dos bons fundamentos locais, como
inflação e juros em queda, crescimento esperado ao redor de 2,0% para 2024, e bom desempenho
das contas externas, os frágeis fundamentos fiscais ainda preocupam os investidores, limitando os
benefícios da queda dos juros. A REAG espera um recuo da Selic, atualmente em 11,25%, para 8,5%
ao final de 2024. Dessa forma, o retorno real das aplicações em CDI ano longo do ano ainda
continuará bastante atrativo, superior a 5,0% a.a. Para as carteiras locais, finalizamos um processo
de realocação para ativos de crédito privado (CDI+) visando retornos superiores ao CDI. A alocação
tem seguido uma estratégia de pulverização, com investimentos em diversos fundos e operações
estruturadas de crédito, com objetivo de maximizar a taxa real de juros este ano, diminuindo a
concentração do risco de créditos específicos (pela pulverização), e sem expor as carteiras a
classes de ativos de maior volatilidade, como Ações, Multimercados ou Private Equity. A opção por
esta estratégia já tem demonstrado retornos acima do CDI neste início de ano.

 

Indicadores do Mês – Janeiro 2024

  • Ibovespa             + 0,99%
  • Dólar                    – 0,52%
  • CDI                        + 0,71%
  • IGPM                    + 0,80%

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