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Carta Mensal : Abril 2024

Comentário Econômico

Por: Marcelo Fonseca, economista-chefe da REAG Investimentos
e Saulo Holzmann, estrategista da REAG Investimentos

 

Comportamento dos mercados no mês:

O mês de abril, diferentemente do primeiro trimestre do ano, foi um mês negativo para investimentos, tanto na Renda Variável quanto na Renda Fixa global. Dados de atividade mais fraca e inflação mais alta ao mesmo tempo nos EUA trouxeram preocupação. Mas mais relevante foi o dado de inflação, que fez com que o mercado especulasse que o FED (o BC americano) poderia rever sua decisão de baixar a taxa de juros em algum momento este ano e até que aventasse a possibilidade de ter que subir a taxa ainda mais (hoje em 5,50% a.a.) para conter uma inflação mais alta que o esperado nos últimos três meses. Ao final, em decisão recente do FED esta opção foi descartada. Mas o estrago já estava feito, e a maioria das bolsas globais teve queda enquanto os bonds sofreram perdas pela abertura da curva futura de juros no mundo. O Brasil, além de sofrer com a volatilidade mundial, teve a notícia negativa da mudança da meta fiscal para os próximos três anos do governo Lula, confirmando o que todo o mercado esperava: que seria inexequível as metas antes almejadas pelo governo. Com isto, a bolsa, medida pelo Ibovespa, teve uma queda no mês. O Real se desvalorizou perante o dólar e o euro, assim como os índices Anbima de Renda Fixa (pré e indexados à inflação) tiveram perdas. No ano acumulado, o CDI continua imbatível, com alta de 3,5%, liderando o ranking de rentabilidade entre os principais ativos de mercado e acima da inflação (IPCA) que deve fechar o acumulado até abril em torno de 1,8%.

 

Mercados Globais:

Mais do que o número de PIB americano abaixo do esperado (contrário aos últimos três meses e a tendência de melhora de atividade mundial), a piora na inflação foi muito significativa. Anualizando a inflação (PCE) americana pelo dado de abril, a inflação estaria girando em torno de 3,7%, muito acima ainda dos 2,0% desejados pelo BC americano. Ao final, está claro que os juros ficarão altos por mais tempo, (como destacado nos nossos informes mensais) devido ao forte mercado consumidor americano/baixo desemprego, que continua a alimentar um nível alto de inflação, principalmente a de serviços. O FED tem se comunicado mal com o mercado em nossa opinião e isto também tem gerado um aumento da dispersão de opiniões e cenários. No mais, a economia global mostra sinais de recuperação provocando revisões de crescimento global para 2024 entre os economistas (de 2,2% para 2,6%), e dificultando a vida dos BCs dos desenvolvidos em trazer a inflação para a meta e, ao mesmo tempo, gerando impacto em outras regiões do globo como os Emergentes, onde o Brasil está inserido.

 

Mercado Doméstico:

Com a decisão, de certa forma esperada, de mudar a meta fiscal para um superávit apenas em 2026 (último ano de Lula), fica claro que não há disposição no corte de despesas (ou venda de ativos) neste governo, e que isto sim deve limitar o escopo do processo de queda de juros pelo BC brasileiro. Tanto que já ocorreram diversas revisões para pior da taxa de final do ano da Selic (CDI). Além da taxa americana demorar para

cair, o prêmio de risco brasil fica alto devido à dependência fiscal deste governo. Isto mais uma vez confirma nossa estratégia de ter realocado as carteiras em aplicações ligadas ao CDI desde o ano passado. Para as carteiras locais, já finalizamos, no primeiro trimestre, um processo de realocação para ativos de crédito privado (CDI +) visando retornos maiores que 100% do CDI. A nova alocação foi feita de uma maneira pulverizada, com investimentos em diversos fundos e operações estruturadas de crédito, com o objetivo de diminuir a exposição a um crédito específico e, ao mesmo tempo, maximizar a taxa real de juros (acima da inflação) este ano. Como exemplo, tivemos neste mês a reestruturação da dívida da Casas Bahia como um importante evento de crédito no mercado e a nossa exposição a este emissor era de apenas 0,24% em um dos fundos de crédito que compõem as carteiras. Este fundo, mesmo com este impacto fechou acima da variação do CDI no mês. O baixo impacto de um evento de crédito como este premia a nossa estratégia de pulverização para as carteiras, nesta categoria.

 

Indicadores do mês de abril-24:

Ibovespa -1,70%

CDI + 0,89%

Dólar +3,54%

IGPM +0,31%

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