Ata do Copom reitera possibilidade de manter Selic no piso mínimo histórico de 2% além do curtíssimo prazo

O Copom não descarta a possibilidade de enfrentarmos pressão nos índices de preços no curto prazo, mas aposta em acomodação da inflação em patamares benignos, assim como não considera alarmante a questão fiscal, apesar desse vetor ser fundamental para a manutenção dos juros baixos. Essa é a leitura da REAG, baseada tanto no comunicado quanto na Ata pós reunião do Comitê do Banco Central de setembro, quando a autoridade monetária manteve a taxa básica de juros no seu piso mínimo histórico em 2% ao ano, patamar que deve ser mantido por um período mais prolongado, muito possivelmente até 2021.

De acordo com a Ata, divulgada nesta terça-feira (22/09), o colegiado resolveu reduzir, inclusive, o uso da palavra risco de 13 para 11 ao justificar a decisão unânime de manutenção da Selic. Essa percepção de normalidade em relação aos riscos fiscais e que não apresentou novidade na ata, no entanto, não está sendo refletida no mercado de juros futuros, que cobra prêmios maiores para os títulos do governo, “inclinando a curva”.

O Copom destacou o balanço de riscos “de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva”, contudo, declarou que “é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022”. Assim entendemos que a Selic deve permanecer baixa além do curtíssimo prazo e se a política fiscal ficar bem comportada, não descartamos a possibilidade de o Banco Central reduzir a taxa básica de juros aquém dos atuais 2%.

Ao justificar a manutenção da Selic, o colegiado usou o mesmo texto da ata anterior ao afirmar que “entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno.” De acordo com o documento, “eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva”.

Em linhas gerais, a ata não trouxe fatos novos à condução da política monetária. O Copom apenas repisou sua explicação do porquê ter estacionado a taxa em 2% e ponderou como funciona o “forward guidance” (prescrição futura), explicando que seu horizonte-foco é 2021. Assim, o Banco Central pretende trabalhar com a expectativa de inflação para 2021, que apresentam expectativas estáveis – em 3% versus a meta de 3,75% – e por conseguinte não encontra motivos plausíveis para subir a taxa.

Acreditamos que a discussão da futura movimentação de alta na Selic seja antecipada para o final deste ano, dado que a política monetária visa sempre administrar expectativas futuras. Isso porque o modelo de projeção do Banco Central prevê inflação para 2022 entre 3,7% e 4% se mantida a Selic em 2%. Ou seja, muito provavelmente será necessário discutir o quanto antes a possibilidade de subir os juros. Dessa forma, o “forward guidance”, do ponto de vista da taxa básica de juros, deverá ser inferior a 12 meses.

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