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Ata do Copom reitera necessidade de ajuste mais tempestivo, enquanto inflação avança para 0,96% em julho e atinge 8,99% em 12 meses

A Ata da reunião do Copom de agosto/21, realizada na semana passada, reiterou que no próximo encontro, marcado para o dia 22 de setembro, o colegiado deverá elevar a Selic em mais 100 basis point (bps), levando a taxa básica de juros, em termos anuais, a 6,25%, em linha com a perspectiva da REAG. Corroborando a divulgação da ATA nesta manhã de terça-feira (10 de agosto), o IBGE também divulgou o IPCA de julho, que registrou alta para 0,96%, a maior variação para um mês de julho desde 2002. O resultado fez a inflação acumular em 12 meses elevação de 8,99%, a mais alta desde maio de 2016. No ano, o IPCA acumula alta de 4,76%. Na semana passada, o Copom decidiu por subir a dose do aperto monetário ao adotar uma alta de 100 bps na Selic, a 5,25% ao ano.

Entre as principais novidades da Ata, em relação ao último comunicado, destacamos a explicação do diferencial entre suas projeções e as perspectivas de mercado, justificando a tempestividade na política monetária (dos parágrafos 15 a 17). Os trechos do texto citados detalham o debate feito pelo Comitê sobre o que explica a diferença entre o seu cenário básico e as expectativas de inflação extraídas da pesquisa Focus. A conclusão do colegiado é que “um ajuste mais tempestivo da política monetária é a estratégia mais apropriada, neste momento, para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023”. Em outras palavras, de acordo com a autoridade monetária ajustes consecutivos e sem interrupção nos juros básicos serão necessários para levar a taxa Selic para patamar acima do neutro, para que assim as projeções de inflação fiquem na meta. A decisão veio em meio à leitura de que houve piora recente em componentes inerciais da inflação com a reabertura do setor de serviços.

O centro da meta de inflação é de 3,75% para 2021, de 3,5% para o ano que vem e de 3,25% para 2023, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. No Focus da semana passada, utilizado como base comparativa pelo Copom, as perspectivas eram piores, com IPCA em 6,79% este ano, 3,81% em 2022 e 3,25% em 2023. No boletim mais recente, os números para 2021 e 2022 foram piorados a 6,88% e 3,84%, sendo mantida a projeção de 3,25% para 2023. Ao contrário do Banco Central, assim, o mercado já enxerga a inflação acima do centro da meta no ano que vem.

De acordo com a ata, os membros do Copom debateram as explicações para essa diferença nas projeções, aventando três possibilidades diferentes. “Primeiro, as expectativas podem incorporar diferentes hipóteses sobre os fatores determinantes da inflação, tais como os preços administrados e o crescimento econômico, além de conter diferentes percepções sobre cenários de risco ou alternativos”, afirma o Banco Central por meio do documento. “Segundo, a longa sequência de choques e revisões unidirecionais das expectativas pode gerar um aumento da percepção da inércia inflacionária. Finalmente, pode haver, entre os participantes de mercado, diferentes premissas sobre a função de reação da política monetária”, finalizou.

Sobre a economia doméstica, o Banco Central destacou que deve haver retomada robusta no segundo semestre conforme os efeitos da vacinação contra a Covid-19 sejam sentidos de maneira mais ampla. Também neste caso a autoridade monetária discutiu por qual razão suas estimativas para a atividade eram mais modestas que as do mercado. Em seu último Relatório Trimestral de Inflação, do final de junho, o Bacen estimou alta de 4,6% para o PIB neste ano. No boletim Focus mais recente, a projeção é de um crescimento de 5,3%.

Contudo, apesar da discussão, a projeção da REAG segue firme para que a Selic encerre o ano em 7,5% a.a., devendo manter esse patamar ao longo de todo o nos de 2022.

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