Amanhã comemoramos o Dia de Trabalho, apesar de não termos muito o que comemorar.  A taxa de subutilização da força de trabalho brasileira bateu recorde no primeiro trimestre de 2019, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE, atingindo 25% da força de trabalho. Ou seja, a cada 100 trabalhadores, 25 estão sendo subutilizados, dos quais 13 estão efetivamente desempregados, entre 6 e 7 estão subocupados por insuficiência de horas trabalhadas, 4 estão em desalento (precisam trabalhar, mas desistiram de buscar uma vaga de trabalho por motivos diversos) e o restante não tem intenção de encontrar um emprego. Isso significa que 28,3 milhões de brasileiros não trabalharam (a maioria desempregados e desalentados) ou trabalharam menos do que gostariam no período. É o maior índice desde o início da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Em linhas gerais, o desemprego continua elevado porque o cenário de crescimento e de investimento no país se mantém simplesmente medíocre.

No primeiro trimestre de 2014, antes do início da crise no mercado de trabalho, a taxa de subutilização chegou a 15,5%. O crescimento reflete tanto a alta do desemprego quanto a alta do desalento. O número de pessoas desalentadas cresceu 3,9% no primeiro trimestre de 2019 (em comparação com o trimestre anterior), chegando a 4,8 milhões. Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, a alta foi de 5,6%. A taxa de desalento chegou a 4,4%, o maior para o período desde o início da pesquisa. O número de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ficou em 6,8 milhões no primeiro trimestre, estável em relação ao trimestre anterior e 10,2% maior do que a verificada nos três primeiros meses de 2018.

No primeiro trimestre sob o governo Jair Bolsonaro, a taxa de desemprego no país foi de 12,7%. Ao todo, 13,4 milhões de brasileiros procuravam emprego no período, alta de 10,2% com relação ao trimestre encerrado em dezembro. Nos últimos três meses, 1,2 milhão de pessoas passaram a procurar emprego no país. A redução da população ocupada no primeiro trimestre, portanto, é sazonalmente esperada, por conta das descontratações temporárias do período de festas e férias do final do ano. O comércio, por exemplo, fechou 195 mil vagas nos primeiros três meses deste ano. Assim, com relação ao mesmo trimestre de 2018, quando a taxa de desemprego estava em 13,1%, houve estabilidade. Ou seja, em termos de volume de desocupados, estamos patinando no mesmo lugar desde o início do ano passado.

Enquanto o novo governo foca a atenção em discussões filósofo-culturais, na troca de farpas pelas redes sociais, permissivo às trapalhadas egocêntrico-intervencionistas dos herdeiros do clã-Bolsonaro, a economia continua “bugada”. O desemprego voltou a subir com força diante da desconfiança de empresários e de consumidores em relação à capacidade do governo de reativar a atividade econômica do país. A deterioração do mercado de trabalho reflete a paralisia na indústria e no comércio e as incertezas em relação ao avanço das reformas, principalmente, a da Previdência. Não por acaso, a REAG mantém desde o início do ano sua projeção de crescimento do PIB nos míseros 2% em 2019. Esse desastre, reforçamos, é reflexo da opção do presidente Jair Bolsonaro em priorizar uma agenda filosófica e ideológica em vez de ações concretas para estimular a produção, os investimentos, o emprego e o aumento da renda.

DESEMP

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