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Agenda Econômica Semanal – 9 a 15 de maio de 2022 : Inflação no radar das agendas doméstica e internacional

Na quarta-feira, o IBGE divulgará o resultado do IPCA de abril, importante insumo para o mercado calibrar as expectativas sobre o desfecho da política monetária, concomitantemente com a Ata do Copom, que será conhecida na terça-feira.

A REAG projeta que o indicador deva apresentar alta de 0,98%, desacelerando em relação ao IPCA-15 de abril (1,73%), mas com nova aceleração no acumulado em 12 meses, atingindo a expressiva marca de 12,04%, a maior desde out/2003 (13,98%). O arrefecimento no fechamento do mês deve ser condicionado pela menor alta do grupo Habitação, devido à incorporação da bandeira tarifária verde, reduzindo o preço da energia elétrica residencial. Acreditamos que a volta (desde o dia 16 de abril) da bandeira tarifária verde nas contas de energia deve exercer um impacto baixista relevante. Nesse sentido, o grupo Alimentação também deve desacelerar, diante da menor alta dos preços de alimentos no atacado, que tiveram impacto altista sobre o varejo nos últimos resultados. Ainda que mais contidos, os preços dos alimentos e dos combustíveis devem seguir pressionando o indicador, que também deve ser impactado pela autorização de reajuste de até 10,89% nos preços dos medicamentos (a partir do dia 1º de abril). De toda forma, o processo inflacionário deve seguir disseminado, sem sinais de descompressão e com “vetores externos” (depreciação do real, preços elevados das commodities, inflação global) mantendo o cenário preocupante. Não à toa, a projeção da REAG segue com viés de alta, com o IPCA podendo superar 8,0% para este ano e as de 2023, horizonte relevante para a política monetária, acima de 4,0%, superior ao centro da meta (3,25%).

Apesar da retomada da greve dos servidores do Banco Central, o BC confirmou que a Ata da reunião do Copom será divulgada na terça-feira, embora outros indicadores, como o Relatório Focus, voltem a não ser divulgados. Sem surpresas, o colegiado elevou a taxa Selic em 1,0 pp na última reunião, para 12,75% aa. O principal destaque foi a indicação de que o Copom deve fazer novo ajuste, com uma alta de menor magnitude na reunião de junho, quando poderá encerrar o atual ciclo. O comunicado, no entanto, veio em tom sugestivo (provável), sem comprometer os próximos passos da autoridade, que sinalizou a necessidade de cautela diante do elevado nível de incerteza da atual conjuntura (com possibilidade de pressão inflacionária ainda maior), ciclo de alta de juros próximo do fim e impactos da política monetária ainda por serem observados.

O mercado estará atento se a Ata trará mais detalhes sobre as perspectivas do Copom, especialmente novos sinais que possam indicar se o provável ajuste em junho será o último. O mais provável aqui parece ser uma reafirmação da Nota divulgada, em que indica a possibilidade de ser o último ajuste, mas preservando a margem de manobra para novas altas. Resiliência da inflação e evolução do cenário externo podem indicar a necessidade de novos ajustes na visão de diversos analistas de mercado.

Por sua vez, os dados do varejo e do setor de serviços, que serão conhecidos na terça e na quinta feira, serão importantes para encerrar o conjunto de dados de atividade do primeiro trimestre. A perspectiva é de alta nos serviços e acomodação no varejo, sustentando a expectativa de crescimento da atividade econômica no primeiro trimestre do ano.

As vendas no varejo pelo índice restrito devem cair 0,1% na margem dessazonalizada em mar/22, após alta de 1,1% em fevereiro. Na variação anual, a projeção indica alta de 2,9%. A relativa estabilidade estimada na margem considera a queda na confiança dos consumidores, menores rendimentos reais e reajustes nos preços de combustíveis em meados do mês. Mesmo assim, os melhores resultados no fluxo de pessoas em shoppings e índice Cielo de varejo limitam maiores perdas. Para o varejo ampliado, as vendas devem cair 0,8% na margem dessazonalizada e crescer 1,7% na variação anual. O resultado mais fraco estimado na margem contempla o enfraquecimento das vendas de veículos no mês, como indicado pela Fenabrave.

Para o setor de serviços, que começou o ano mais fraco do que se imaginava, decorrente do surto da variante Ômicron, a expectativa é de uma boa recuperação em março, com alta de 0,8%, beneficiado pela maior mobilidade urbana que favorece especialmente os serviços prestados às famílias, como alimentação e hotelaria. Apesar de um começo de ano difícil, o setor deve mostrar crescimento no trimestre (de 0,6%, caso a expectativa para março se concretize), contribuindo positivamente para o desempenho do PIB no período.

Teremos ainda na sexta-feira a produção total de veículos (Anfavea), que deve somar 184,3 mil unidades em abril. Na margem dessazonalizada, o volume deve representar alta de 4,0%, após queda de 1,0% em março. Na variação anual, a expectativa é de redução de 4,9% na produção. A perspectiva de alta na margem reflete o desempenho das vendas em abril, que seguiram em evolução na primeira quinzena de acordo com dados preliminares divulgados pela imprensa. Ainda assim, a produção deve seguir em volume reduzido, tendo em vista as pressões sobre insumos, que permanecem elevadas por conta da guerra no Leste Europeu e das restrições na China, além das limitações impostas ao consumo pelo mercado de trabalho deteriorado e pela piora nas condições de financiamento.

No exterior, destaque para dados de inflação de abril que devem continuar mostrando um cenário altista de preços, com disseminação dos choques recentes. Serão conhecidos os índices de preços dos EUA (ambos na quarta feira) e da China (terça feira).

Após a decisão do Fed de elevar a taxa de juros em 0,5 pp para o intervalo entre 0,75% aa e 1,0% aa (ver pg. 7), os agentes se voltarão para os dados de inflação ao consumidor (CPI) de abril nos EUA. A expectativa é que o índice mostre uma alta bem mais contida que em março, de 0,2% no mês (ante 1,2%), diante da acomodação dos preços dos combustíveis após a disparada no mês anterior. Com isso, em 12 meses, o indicador deve mostrar alguma desaceleração, ficando em 8,1% (ante 8,5%), mas em nível ainda muito alto. O núcleo do indicador (excluindo alimentos e combustíveis) também será fonte de atenção, cuja expectativa é que mostre alguma aceleração na margem, de 0,3% para 0,4%, dado que a atividade aquecida dá espaço para o repasse de preços, o que mantém o quadro de preocupação.

Ainda no âmbito da inflação norte-americana, será divulgada (quinta-feira) a inflação ao produtor (PPI), também referente ao mês de abril, cuja expectativa também é de alguma desaceleração com relação ao mês de março, com altas de 0,5% no mês (ante 1,4%) e 10,7% (ante 11,2%) no acumulado em 12 meses, após o avanço recorde de março. Na sexta-feira, fechando a agenda de indicadores dos EUA, será conhecida a prévia de maio da confiança do consumidor (Universidade de Michigan), onde é aguardada uma nova queda, ainda reflexo da escalada dos preços. Na China, serão divulgados os dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de abril.

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