Apesar dos feriados no começo da semana, agenda tem leituras importantes

O mercado doméstico volta à ativa nesta terça-feira após os feriados ontem no Brasil (Dia da Independência) e nos Estados Unidos (Dia do Trabalho) em compasso de espera pela agenda da semana, com IPCA de agosto (quarta-feira), números do varejo de julho (quinta-feira) e de serviços (sexta-feira).

O varejo restrito de julho deve mostrar alta de 3,9% (MoM). Dá suporte à avaliação, os bons indicadores coincidentes, como o das consultas ao SCPC (23,6%) e o índice Cielo (7,0%). A desaceleração de inflação dos itens do varejo restrito também pode ajudar. No conceito ampliado, que inclui veículos e material para construção, o varejo deve crescer 7,6%, em razão do bom comércio de veículos (26,4%, Anfavea | 19,8%, Fenabrave). No geral, a dinâmica do varejo tem sido beneficiada pela troca de consumo de serviços por bens devido à influência do isolamento social trazido pelo COVID19. O volume de serviços (sexta-feira) deve avançar 1,7% (MoM) em julho, refletindo o maior fluxo de veículos nas estradas (5,3%) e nossa perspectiva positiva para o varejo ampliado.

Nesta terça-feira, o IGP-DI de agosto registrou alta de 3,87% em agosto, após um avanço de 2,34% em julho, puxado pelas altas do arroz, milho, soja e minério de ferro, diante da valorização dos preços de commodities, além de alimentos industrializados, produtos químicos e metalurgia. Com o resultado, o IGP-DI acumula elevação de 11,13% no ano. Em 12 meses, a taxa ficou em 15,23%. O IPCA de agosto (quarta-feira) deve desacelerar de 0,36% para 0,20% devido ao arrefecimento da Energia elétrica e Gasolina. A queda no preço das mensalidades escolares também deve contribuir para o movimento.

O mau humor externo deve afetar as cotações no mercado local, com o investidor monitorando o andamento da reforma administrativa do governo, enviada na semana passada ao Congresso. Ficam também no radar os atritos entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a criação de fundos para desenvolvimento regional. Ontem, quando o Brasil atingiu 127 mil mortos por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro ignorou a pandemia em pronunciamento em cadeia de rádio e TV; não destacou a agenda de reformas de governo, enfatizou “a liberdade dos brasileiros”, ao mesmo tempo em que voltou a exaltar o Golpe de 1964. Ele voltou a ser alvo de panelaços ao menos em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Nos EUA, a semana é pouco movimentada, iniciando com Feriado do Dia do Trabalho (Labor Day) na segunda-feira. Hoje tivemos a divulgação do crédito ao consumidor de julho e na quarta a leitura dos empréstimos hipotecários semanais. Os dados de inflação referentes a agosto serão conhecidos nesta semana. Na quinta-feira, o PPI deverá manter deflação em 0,4% (A/A), enquanto o CPI (sexta-feira) tende a avançar moderadamente de 1,0% para 1,2% (A/A). A medida de núcleo, entretanto, deve se manter em 1,6% (A/A), reforçando cenário confortável para a evolução dos preços. Na quinta-feira, após desaceleração relevante nos pedidos semanais de seguro-desemprego na última leitura, é esperada nova queda nas solicitações para 838 mil, indicando melhora no mercado de trabalho americano. Ainda na quinta, os estoques no atacado de julho e os estoques semanais de petróleo bruto serão conhecidos. Finalizando a semana, será publicado o resultado mensal do Tesouro referente a agosto.

Na agenda europeia, destaque para os primeiros indicadores de atividade no 3T20 e para decisão de política monetária do BCE. Também em Londres, ocorrerá entre 8-10 setembro a 8ª rodada de negociações para o Brexit, com a presença dos negociadores chefe David Frost (UK) e Michel Barnier (EU). Por fim, do lado asiático, teremos a leitura final do PIB japonês no 2T20 (segunda-feira), com revisão para baixo, de –7,8% (T/T) para –7,9% (T/T), puxada pela queda dos investimentos privados. A contração corresponde à maior da série histórica e à 3ª queda consecutiva. Na China, é esperado que a balança comercial chinesa referente a agosto continue registrando saldo superavitário, pelo bom desempenho das exportações. Ainda serão divulgados dados de crédito e investimento direto estrangeiro na China.

DISCLAIMER: as informações e projeções contidos neste e-mail refletem o posicionamento econômico da REAG INVESTIMENTOS e não refletem necessariamente a opinião pessoal do(s) seu(s) autor(es).

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