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Agenda Econômica Semanal – 7 a 13 de novembro de 2022 : Inflação no radar do mercado: IPCA na agenda local e CPI nos EUA

Nesta semana, os humores do mercado devem se manter pautados pelo processo de transição entre os governos Bolsonaro e Lula, com a necessidade de abertura de espaço no Orçamento para pagamento dos R$ 600 de Auxílio Brasil, que voltará a se chamar Bolsa Família, em 2023. No final de semana, o Estado de S. Paulo informou uma notícia que pode agradar aos mercados nos próximos dias: Luiz Inácio Lula da Silva convidou André Lara Resende e Persio Arida, pais do Plano Real, para compor a equipe de transição. Por outro lado, ainda não há uma definição de quem será o ministro da Economia a partir de janeiro. Após dias de descanso na Bahia, Lula estará em Brasília nesta terça-feira para definir uma solução para a PEC da Transição, solução que abriria espaço para gastos além do permitido pelo teto de gastos no ano que vem. Essa espécie de waiver (licença para gastar) poderia custar entre R$ 160 bilhões e R$ 200 bilhões.

Enquanto isso, na agenda de indicadores econômicos destacamos a divulgação do IPCA de outubro (quinta-feira) que deve voltar ao terreno positivo. A expectativa é de que o principal índice de preços ao consumidor do país deve sair de –0,29% (em setembro) para 0,45% em outubro. Sob efeito dos bloqueios nas rodovias no final de outubro devido às manifestações populares, o destaque deverá ser a elevação dos preços dos alimentos, sobretudo os in natura (verduras, legumes e frutas). Além disso, com a alta demanda de viagens, o item “passagens aéreas” também deve impulsionar o índice de outubro.

Por outro lado, o IGP-DI de outubro (terça-feira) deve se manter no terreno negativo, ao sair de –1,22% para –0,54%. Os vetores deverão ser o barateamento do leite in natura, café, algodão, minério de ferro, derivados de petróleo e produtos de metalurgia. Os preços dos combustíveis, ainda em terreno deflacionário, também devem contribuir para o movimento do índice.

Na quarta-feira, o varejo restrito de setembro deve mostrar queda de 0,6% (MoM). Dá suporte a essa avaliação, a deterioração dos indicadores coincidentes, tais como as consultas ao SCPC (-6,0%). No conceito ampliado, que inclui veículos e material para construção, deve ocorrer alta de 0,2% (MoM). O comércio de material para construção (1,0%, Serasa), bem como as vendas de automóveis e comerciais leves (5,7%, Anfavea | 5,6%, Fenabrave | -1,9%, Serasa) ajudam a explicar nossa estimativa.

O volume de serviços de setembro, por sua vez, deve crescer 0,8% (MoM), impulsionado pelo barateamento dos combustíveis (gasolina: R$5,4 para R$5,0 | -8,6%, MoM | -19,9%, YoY) e nossa expectativa positiva para o varejo ampliado.

A Anfavea, na terça-feira, publicará seus números de produção de veículos em outubro.

Lá fora, os mercados acompanham os dados de inflação nos Estados Unidos em outubro, que serão informados na quinta-feira e as eleições de meio mandato, que podem mudar o equilíbrio de poder no Congresso americano.

O destaque desta semana na agenda internacional será a divulgação do CPI de outubro (quinta-feira), para o qual é esperada desaceleração de 8,2% (YoY) para 8,0% (YoY). As pressões altistas devem ser disseminadas, tendo como destaques ainda os preços de serviços e de alimentos. Já medida do núcleo deve se manter estável, mas em patamar elevado de 6,6% (YoY). Apesar disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, já indicou que os juros finais podem subir acima do projetado anteriormente pela instituição – ou seja, a taxa pode passar a subir menos a partir de dezembro, mas esse processo pode durar mais. Também na quinta, os pedidos semanais de seguro-desemprego serão conhecidos. Ainda que seja esperado um recuo marginal, não deve haver mudança substancial do cenário de persistência inflacionária. Assim, apesar da decisão do FOMC na última semana vir em linha com as expectativas de mercado, houve mudança do tom do comunicado, com a manifestação explícita para a continuidade do ciclo de aperto monetário (indicando uma taxa terminal mais alta do que as projeções de set/22 e a possibilidade de redução do ritmo das altas na próxima reunião).

Na Europa, as atenções estarão voltadas para a divulgação da prévia do PIB 3T21 e a produção industrial de setembro no Reino Unido (sexta-feira). Os efeitos decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia afetando as cadeias de energia e as pressões inflacionárias ainda muito intensas exercerão impactos negativos relevantes para o crescimento no último trimestre do ano.

Na Ásia, atenção para os dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) na China, ambos referentes a outubro (terça-feira). O CPI deve registrar desaceleração nesta leitura, recuando para 2,4% (YoY) ante 2,8% (YoY) no mês anterior. Neste mesmo sentido, o PPI tende a recuar significativamente para –1,6% (YoY) ante 0,9%. Ainda na semana, dados da oferta monetária de outubro na China serão conhecidos. A expectativa é de queda marginal do agregado monetário M2 – em torno de 12,0% (YoY).

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