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Agenda Econômica Semanal – 6 a 12 de junho de 2022 : IPCA de maio é o grande destaque da semana, a pautar expectativas para a decisão do Copom de junho

As atenções da semana estarão voltadas para o resultado do IPCA de maio, que deve ajudar o mercado calibrar as apostas para os próximos passos do Copom, que se reunirá na próxima semana (14 e 15 de junho). Nossa perspectiva é de acomodação na margem, com alta estimada de 0,60%, abaixo do observado em abril (1,06%). Em 12 meses, o indicador deve começar a mostrar algum arrefecimento, desacelerando de 12,13% para 11,88%, embora ainda um patamar muito elevado. A leitura de maio é resultante do arrefecimento nos preços administrados (energia elétrica, gasolina, gás de cozinha e medicamentos). Entre os preços livres, a Alimentação no domicílio também deve contribuir para o movimento.

A despeito do impacto baixista da bandeira tarifária verde sobre os preços de energia elétrica, os núcleos devem continuar pressionados em todas as métricas. Em outras palavras, o processo inflacionário deve seguir bastante disseminado na economia, com avanço nos núcleos, serviços subjacentes e bens industriais, sinalizando que o processo de acomodação da inflação pode ser mais lento do que o até então esperado. O resultado de maio, incluindo a qualidade das aberturas, será importante para o Copom avaliar se deve encerrar o ciclo de alta da Selic na próxima reunião ou se deve estender para agosto. Às vésperas do Copom, o Banco Central divulgou nesta segunda-feira uma atualização parcial do Relatório Focus, com as projeções do IPCA atingindo 8,89% em 2022 e 4,39% em 2023.

Também no quesito medição do nível de preços, a FGV anuncia esta semana o IGP-DI de maio (quarta-feira) deve acelerar de 0,41% para 0,75%, impulsionado pelos produtos agropecuários (Grãos) e o INCC (Índice Nacional de preços da Construção Civil). O indicador deve seguir mostrando uma acomodação dos preços de importantes commodities, além de um alívio nos combustíveis, contendo os preços no atacado. No acumulado em 12 meses, o índice deve desacelerar de 13,52% para 10,69%.

No âmbito da atividade, o IBGE divulga, na sexta-feira, o resultado das vendas no varejo referente ao mês de abril. Os resultados do varejo restrito devem apontar avanço de 0,1% (MoM) em abril. Dá suporte à avaliação, as consultas ao SCPC (6,1%), a melhora da confiança (consumidor: 2,0%, MM3M | comércio: 0,4%, MM3M) e o movimento do comércio apontado pelo IGet Santander, que busca mensurar as transações do mercado de adquirência (2,2%, M/M, restrito, máquinas de cartão). Além disso, temos os efeitos da liberação dos estímulos à renda (Auxílio Brasil, FGTS e antecipação do 13º salário dos aposentados e pensionistas) concentrados nesse 2T22. Limitando o movimento, destaque para a inflação em nível elevado (preço da gasolina da ANP: 6.91 para 6.99, MM6M | 7.12 para 7.25, evolução mensal), juros altos e o fraco movimento do comércio apontado pela Serasa (-1,2%). No conceito ampliado, que inclui veículos e material para construção, o varejo deve subir 1,4% (MoM). Entre os indicadores coincidentes, destaque para o avanço do comércio de veículos, apontado pela Fenabrave (6,5%), e, para o IGet Ampliado (0,4%). A persistência inflacionária, contudo, deve seguir contendo o desempenho do setor, especialmente de algumas atividades, como supermercados e combustíveis. A semana também traz números do setor automotivo, que tem mostrado alguma reação no início do 2º trimestre, após um 1º tri fraco. A produção total de veículos será divulgada pela Anfavea na terça-feira, e a expectativa é de que o setor siga mostrando recuperação, embora ainda contida, diante da persistente limitação na oferta de semicondutores.

No exterior, destaque para os dados de inflação na China e nos EUA e para a reunião de política monetária do Banco Central Europeu. Para a divulgação da inflação do consumidor (CPI) de maio nos EUA (sexta-feira), o consenso de mercado aguarda alta de 0,7% no mês, com ligeira desaceleração no acumulado em 12 meses, de 8,3% para 8,2%. A leitura será importante para que os agentes calibrem as projeções de inflação, além de auxiliar na formação das expectativas sobre o plano de voo do Fomc, que volta a se reunir no dia 15. Por ora, é quase unânime a expectativa de duas altas de 0,5 pp nas reuniões de junho e julho, levando a taxa de juros americana para o intervalo de 1,75% a 2,0% aa. Resta saber se, após tais movimentos, o Colegiado dará continuidade ao aperto ou se irá flexibilizar os planos de restrição.

Além disso, o Banco Central Europeu se reúne na quinta-feira para definir a taxa de juros da região. Esperamos manutenção dos juros nesta reunião e sinalização de que o primeiro movimento de alta ocorrerá na reunião seguinte, em julho.

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