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Agenda Econômica Semanal – 5 a 11 de julho de 2021

Inflação de junho estará no foco da agenda doméstica desta semana

 

As atenções do mercado estarão voltadas para os indicadores de inflação que serão divulgados nesta semana. Depois da variação levemente abaixo da esperada no IPCA 15 as atenções se voltam para o resultado fechado de junho e suas implicações para a política monetária. Os índices de preços serão acompanhados de perto pelo mercado com vistas a balizar os próximos passos da política monetária conduzida pelo Banco Central: será que o colegiado manterá o ritmo de alta de 0,75 pp da Selic ou será que o comitê aceleração o ajuste por conta da pressão inflacionária? De um lado da balança temos o arrefecimento dos preços no atacado, o que sinaliza alguma melhora a posteriori no varejo (majoritariamente em alimentos), do outro lado da balança temos ainda significativo choque de custos associado ao processo de reabertura econômica global, que pode pressionar os preços principalmente por meio do setor de serviços, que ainda se encontra bastante acanhado.

O IPCA de junho (quinta-feira) deve desacelerar de 0,83% para 0,56%, muito em função da despressurização nos preços de transportes e habitação. As maiores pressões devem advir da tarifa de energia elétrica, basicamente por conta do acionamento da bandeira vermelha nível 2, e da alta dos combustíveis. A inflação dos itens industriais também deve pesar no índice, incorporando os repasses do atacado. Atenção também para a inflação de serviços, com destaque para a alimentação fora do domicílio, que deve subir em reação à maior reabertura das atividades e ao choque de custos que afeta a economia.

O IGP-DI de junho (quarta-feira) deve desacelerar de 3,40% para 0,46%. Destaque para a provável deflação dos produtos agropecuários, influenciada, principalmente, por Grãos (soja e trigo). Além disso, os produtos industriais, influenciados pelo movimento do Minério de ferro, também devem contribuir para o arrefecimento do índice. A expectativa é de arrefecimento da inflação no atacado, com deflação esperada para produtos agropecuários e perda de força dos produtos industriais, em função da apreciação cambial e da acomodação dos preços de importantes commodities no mercado internacional.

Diante das recentes fortes altas nos preços das commodities e a menção na Ata do Copom sobre a possibilidade de termos uma normalização mais rápida que esperada, ganha importância o acompanhamento do IC-Br de junho, na próxima quarta-feira. Por ora, estimativas de mercado apontam queda em torno de 2,5%, após cinco fortes altas, que geraram aumento acumulado de 27,5% no período.

Os dados referentes ao desempenho do varejo em maio também serão importantes termômetros para a atividade econômica no segundo trimestre. As vendas do varejo restrito de maio (quarta-feira) devem crescer 2,4% (MoM), refletindo a maior mobilidade e os pagamentos do auxílio emergencial. No conceito ampliado, o varejo deve avançar 4,5% (MoM) em maio, impulsionado pelo bom comércio de veículos (Fenabrave: 3.6%, MoM | Anfavea: 2.4%, MoM). O resultado deve ser favorecido, em especial, pela maior flexibilização das medidas restritivas, embora também impulsionado pela retomada do pagamento do auxílio emergencial e expansão do crédito às famílias.

Também na quarta, a Anfavea divulga a produção de veículos do mês de junho, que deve reforçar os problemas que o setor tem atravessado, impactado pela paralisação de diversas montadoras com a falta de insumos. No geral, os resultados devem trazer novos sinais positivos para o desempenho da atividade no 2º tri, especialmente no comércio e serviços, reforçando as projeções de elevado crescimento do PIB de 2021.

No exterior, a divulgação da ata do FOMC concentrará as atenções. Diante das mudanças nas projeções feitas pelos membros do FED no comunicado da decisão do último dia 16 os analistas buscarão na ata da reunião pistas sobre os próximos passos da política monetária americana. Na ata do FOMC (quarta), as atenções estarão voltadas para eventuais relatos das discussões sobre a redução no programa de compras de ativos (tapering). Os dados da inflação na China também estarão no radar.

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