Mercados se mantêm tensos à espera de indicadores do mercado de trabalho e da indústria

Apesar da recuperação do Ibovespa na última semana, os investidores seguem tensos com os rumos da economia global e isso deve manter as bolsas no mundo todo em clima de cautela ao longo desta semana. Entre os indicadores, alguns dados importantes serão publicados e devem mostrar com mais clareza como está sendo o impacto da crise do novo coronavírus nas diversas economias.

No ambiente doméstico, aumenta destaque para o risco político, conforme o discurso do presidente Jair Bolsonaro se descola de governadores de estados, criando um atrito sobre como combater o surto do novo coronavírus. O discurso de Bolsonaro contra o isolamento social ganhou força entre apoiadores e um dos grupos, o Avança Brasil, lançou uma campanha para que os trabalhadores retomem a vida normal na segunda-feira. Do outro lado, autoridades como o governador de São Paulo, João Doria, mantêm uma postura rígida de isolamento. Enquanto isso, o Banco Central já disse ter um “arsenal” para usar no câmbio, mas por ora só tem atuado pontualmente, em momentos de disfuncionalidade.

 

Nos juros, o Tesouro disse que continuará realizando seu programa de compra e venda de títulos públicos, com prazo indeterminado, sempre que observar disfuncionalidades nos negócios. Por fim, governo e Congresso devem continuar agindo em sentido mais amplo para conter os efeitos econômicos da pandemia. Após a Câmara aprovar uma ajuda de R$ 600 aos mais necessitados, na sexta o BC anunciou novas medidas, entre elas a recompra de créditos das empresas – vista no mercado como uma iniciativa positiva uma vez que apenas a queda dos juros seria insuficiente para aliviar o setor produtivo.

 

No Brasil, o relatório Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira sinaliza que o mercado financeiro espera agora um novo corte da Selic já na próxima reunião do Copom, em maio, levando a taxa básica de juros de 3,75% para 3,50% ao ano. Para o IPCA, a projeção de alta foi reduzida pela terceira vez consecutiva, de 3,04% para 2,94%, em 2020. O mesmo aconteceu com as perspectivas para a expansão do PIB brasileiro, cuja mediana das projeções recuou pela sétima vez consecutiva, desta vez, de alta 1,48% para uma contração de 0,48.

 

As atenções locais estarão também voltadas nesta semana aos indicadores de mercado de trabalho e produção industrial, referentes a fevereiro. A contínua queda da taxa de desemprego deve ter sido interrompida em fevereiro, refletindo os dados mais fracos de atividade econômica no começo do ano, antes mesmo da paralisação da atividade econômica decorrente da pandemia. A produção industrial de fevereiro, por sua vez, deverá apresentar queda, devolvendo parte da alta observada em janeiro. A Sondagem da FGV será relevante para avaliarmos os impactos recentes da paralisação no setor mais relevante da economia brasileira.

 

No exterior, o destaque será o payroll nos EUA de março e o resultado final do índice PMI, incluindo a China, que já deve refletir alguma retomada em relação ao vale de fevereiro. Depois da forte elevação do número de pedidos de auxílio desemprego, teremos outra evidência do mercado de trabalho norte-americano. A estimativa, segundo mediana compilada pela Bloomberg, é fechamento de 100 mil vagas, contra um resultado de 273 mil vagas criadas em fevereiro. Ainda sobre os impactos da pandemia, na China saem os números dos PMIs da indústria de março, que podem já trazer alguma indicação sobre uma possível retomada da segunda maior economia do mundo, que na última semana voltou a reabrir alguns locais conforme o vírus perde força no país.

 

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