Dados fiscais e de atividade são destaque da agenda doméstica

A semana reserva dados fiscais, inflacionários e de atividade econômica, todos com potencial para calibrar as apostas para o Copom de agosto, que ainda não está dado, depois de a ata ter mantido o suspense. Embora o texto tenha deixado em aberto um “eventual ajuste residual” da Selic (25 pontos), voltou a advertir que o espaço para um corte é “incerto e pequeno”, mantendo no radar a chance de manutenção da taxa.

 

No balanço de riscos apareceu o mesmo alerta do comunicado, de que a demanda pode cair menos do que o esperado, com os programas de incentivo ao crédito e o auxílio-emergencial lançados pelo governo. À medida que um cenário de piora fiscal poderia pressionar a inflação, exigindo maior conservadorismo do BC, é importante conferir nesta segunda o resultado das contas do Governo Central de maio, que vêm com novo déficit.

O caixa do Governo Central registrou um déficit primário de R$ 126,609 bilhões em maio, o pior desempenho da série histórica – iniciada em 1997 – para qualquer mês. O resultado, que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, sucede o déficit de R$ 92,902 bilhões de abril, que já havia sido recorde negativo. Em maio de 2019, o resultado havia sido deficitário em R$ 14,743 bilhões. Saiu também para esta segunda os números do Caged, com o Brasil fechou 331.901 vagas formais de trabalho em maio. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, foram encerrados 1.144.875 postos, na série com ajustes.

Já as pressões inflacionárias serão confirmadas pelo IGP-M fechado de junho avançou 1,56% em junho, informou nesta segunda-feira, a FGV. A inflação medida pelo indicador ganhou tração ante a taxa observada em maio, quando o indicador variou 0,28%. O IPC-S deste mês sai na quarta-feira e o IPC-Fipe, na quinta-feira. O ritmo da atividade econômica será medido pela produção industrial do mês passado, na quinta-feira.

Mercado de trabalho ainda mostra fraqueza, enquanto indicadores de atividade devem trazer sinais de melhora em junho. Os dados do Caged e da Pnad Contínua, ambos do mês passado, mostram alguma intensificação dos efeitos da pandemia sobre o emprego. Por outro lado, indicadores já divulgados sugerem que os dados de produção industrial de maio e do setor automotivo de junho melhoraram em relação a abril, corroborando que o pior momento para a economia ficou para trás.

Leituras finais dos índices PMI devem confirmar retomada mais forte da economia global neste mês. A agenda internacional também conta com a divulgação da ata da última reunião do FOMC, na qual juros foram mantidos, mas com sinalização de que estímulos poderão ser intensificados.

 

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