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Agenda Econômica Semanal – 26 de julho a 1 de agosto de 2021

Em semana com agenda cheia, destaque para indicadores do mercado de trabalho, inflação e contas públicas

 

Na agenda econômica, a última semana do mês, como de costume, traz uma bateria de dados, com informações sobre o nível de confiança dos agentes econômicos, emprego, inflação, setor externo, contas públicas e crédito. As sondagens da FGV deverão corroborar a percepção de atividade econômica robusta em julho. A taxa de desemprego, relativa a maio, deve apontar para uma ligeira queda. O IGP M de julho tende a apresentar alguma descompressão, mas ainda deve se manter em patamar bastante elevado. Todos esses indicadores serão relevantes para a próxima decisão de política monetária, que ocorrerá na primeira semana de agosto O Banco Central, por sua vez, divulgará as notas à imprensa de setor externo, crédito e fiscal.

Ao longo da semana, a FGV deve publicar seus números sobre a confiança de julho, que trazem as primeiras sinalizações do comportamento da atividade no início do 3º trimestre: confiança do consumidor (segunda), do setor da construção civil (terça), da indústria (quarta), e por fim, a confiança do comércio e de serviços (quinta). Além disso, teremos o indicador de incerteza da economia, previsto para sexta-feira. A expectativa é de aumento da confiança das empresas e dos consumidores, em função principalmente do avanço da vacinação e da redução das medidas restritivas.

Na quarta-feira, o Ministério da Economia divulgará o saldo de empregos formais do Caged de junho. Nossa estimativa é que ocorra saldo de 280 mil, dando prosseguimento ao processo de recuperação do mercado formal de trabalho e refletindo o aumento das imunizações e a reabertura da economia. A taxa de desemprego (PNAD/IBGE, sexta-feira) deve recuar de 14,7% para 14,5% em maio, em função da melhor perspectiva de geração de vagas, que deve ser mais do que suficiente para absorver o incremento da força de trabalho. Ainda que o avanço da vacinação e as menores restrições de mobilidade impulsionem a geração de empregos, especialmente os informais, já se traduzindo em um aumento do pessoal ocupado, o retorno das pessoas à força de trabalho deve manter a taxa de desemprego pressionada, com perspectiva de melhora gradual ao longo da segunda metade do ano.

No cenário inflacionário, a FGV divulga o IGP-M de julho (quinta-feira), que deve acelerar de 0,60% para 0,88%, puxado pela retomada dos preços industriais (minério de ferro e combustíveis). Além disso, energia elétrica, passagens aéreas e alimentos também devem ser vetores importantes. O recente alívio do indicador ante os meses anteriores reflete a perda de força da inflação no atacado, especialmente dos itens agrícolas, explicada pela queda das cotações internacionais de importantes commodities. Os custos do setor de construção também devem trazer algum alívio ao IGP-M. A expectativa é que a acomodação da inflação do atacado possa trazer algum alívio para a inflação ao consumidor ao longo do 2º semestre. O INCC de julho (terça-feira) deve desacelerar de 2,30% para 1,05% devido ao menor impacto dos reajustes salariais dos trabalhadores da construção civil e do menor avanço de materiais e equipamentos.

Em relação às contas públicas, o Tesouro Nacional divulga o resultado do governo central (quinta-feira) e o Bacen publica os números do setor público consolidado (sexta-feira), ambos de junho. A REAG projeta déficit primário de R$ 71,8 bi (0,85% do PIB) para o governo central e de R$ 67,5 bi (0,80% do PIB) para o setor público consolidado. Mesmo favorecido pela forte arrecadação de impostos, que tem surpreendido positivamente, o resultado do mês será pressionado pelo adiantamento do 13º salário dos pensionistas do INSS, além das despesas extraordinárias de combate a pandemia no montante de R$12,7 bi.

O Banco Central divulga (terça-feira) o resultado das contas externas de junho, cuja expectativa é de superávit recorde para o mês, de US$ 3,9 bi, para a balança de transações correntes. O resultado deve ser liderado pelo expressivo desempenho das exportações (principalmente de commodities), que tem elevado o superávit comercial. O resultado de junho deve manter em queda o déficit externo no acumulado em 12 meses, que deve ficar em US$ 6,8 bi, menor valor desde fevereiro de 2008 (US$ -6,2 bi). A expectativa para a entrada de investimento externo (IED), por sua vez, é de US$ 2,5 bi, abaixo do registrado em jun/20 (US$ 5,2 bi). No dia seguinte, quarta-feira, o Banco Central divulga também a Nota de Operações de Crédito com os dados consolidados de junho. Segundo pesquisa da Febraban, a carteira total de crédito deve crescer 0,9% no mês, o melhor resultado para junho desde 2014 (+1,0%) e o 4º avanço mensal seguido, fazendo com que o ritmo de expansão anual da carteira se mantenha em aceleração, de 16,1% para 16,3%. O resultado sinaliza que a oferta de crédito seguiu bastante positiva no 2º trimestre, superior ao já forte desempenho do trimestre anterior, o que reforça a percepção de recuperação da atividade econômica e a importância do crédito para este impulso.

No cenário global, destaque para a reunião do FOMC e o PMI chinês. O comitê de política monetária do Fed não deve gerar surpresas na sua decisão. As atenções estarão voltadas para a comunicação, que pode trazer sinais mais claros sobre o início da retirada de estímulos. O PMI oficial do governo chinês, por sua vez, deve apontar um início de terceiro trimestre com expansão.

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