Semana vem carregada de indicadores, com atenções voltadas para inflação e mercado de trabalho

A agenda de indicadores desta semana vem carregada, como normalmente ocorre na última semana do mês, trazendo dados de inflação, emprego, contas públicas, crédito, entre outros.

Sobre os números do mercado de trabalho, o IBGE divulga a PNAD Contínua (sexta-feira) do trimestre encerrado em setembro, e, sem data definida, o Ministério da Economia deve divulgar os dados do Caged de outubro. A taxa de desemprego de setembro deverá subir de 14,5% para 14,8%, o que representa elevação de 14,3% para 14,7% no dado com ajuste sazonal. Entre os vetores, destaque para a perspectiva de aumento gradual na taxa de participação numa conjuntura de escassez de oferta, refletindo o retorno das pessoas ao mercado de trabalho. Em relação ao Caged, o consenso do mercado espera outro mês de forte geração de vagas formais de emprego, projetado em 213,2 mil (ante 313,6 mil em setembro). Nossa estimativa é de abertura líquida de 188.352 vagas, o que representa 174.808 vagas no dado com ajuste sazonal. O resultado representará recuperação de 63% do montante perdido no auge da crise da Covid19.

Dados de inflação também serão conhecidos na semana. Na terça-feira, o IBGE informa o resultado do IPCA-15, que deve deverá desacelerar de 0,94% para 0,71% em razão do arrefecimento do ritmo de alta dos alimentos no domicílio (arroz, leites e óleos) e de passagens aéreas. Apesar de seguir em elevado patamar em função da pressão dos preços dos alimentos, a variação deve ser menor que a observada no mês anterior, devido o arrefecimento esperado no grupo transportes, em especial, por conta das passagens aéreas. Já o IGP-M, que será divulgado pela FGV na sexta-feira, deverá desacelerar de 3,23% para 3,15%, refletindo a atenuação do ritmo de alta da Alimentação e Recreação, ainda pressionado pelos produtos agropecuários no atacado, principalmente a soja e o milho.

Em relação às contas públicas (sexta-feira), o Tesouro divulga o resultado primário do governo central de outubro, cuja expectativa é de déficit primário entre R$ 15 e R$ 30 bi. Caso se confirme, este será o menor déficit desde o início da pandemia, em razão da melhora da arrecadação de impostos e da redução das despesas emergenciais. Ao longo da semana, a Receita Federal do Brasil divulgará a arrecadação federal de outubro. Nossa estimativa é que ocorra avanço de R$119,8 bi para R$146,6 bi, impulsionado pelo recebimento de tributos diferidos referentes ao mês de maio, com destaque para as contribuições previdenciárias, Cofins e PIS/PASEP. Nesse caso, a arrecadação federal terá expansão de 4,4% (YoY), em termos reais. Na quarta-feira, o BCB divulga o resultado das contas externas de outubro, que deve registrar superávit pelo 7º mês consecutivo, estimado em US$ 1,4 bi. O resultado deve seguir reduzindo o déficit no acumulado em 12 meses, que deve ficar em US$ 12,0 bi, podendo fechar o ano próximo a zero, em função da depreciação cambial, retração econômica e limitações às viagens internacionais.

Na sexta-feira, o Banco Central divulga a nota de operações de crédito, que traz os dados consolidados de outubro. A expectativa é que a publicação siga trazendo números positivos, com novo crescimento do saldo total de crédito. As concessões de crédito PF devem crescer, em linha com a retomada do consumo, como sugerem os dados preliminares de acompanhamento semanal do BCB. Do lado PJ, as concessões devem permanecer relativamente estáveis em alto patamar, beneficiadas pelos programas governamentais, em especial o PEAC-FGI, além da recuperação da atividade. Ainda em relação ao setor bancário, na quinta-feira, há a reunião mensal do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Na semana, a FGV deverá publicar alguns indicadores de confiança do mês de novembro. Nesta segunda-feira, a instituição divulgou a prévia da sondagem da indústria. Na quarta-feira, serão conhecidos a confiança da construção e do consumidor, enquanto na quinta-feira será divulgada a confiança do comércio. No geral, ganham relevância os números da confiança do consumidor e comércio, a fim de verificar se eles continuarão refletindo o esgotamento dos auxílios à renda.

No cenário global, ata do FOMC e prévias do índice PMI composto na Europa dominarão as discussões O documento do Fed deverá reforçar as mensagens de cautela diante dos riscos e de manutenção de estímulos monetários por período prolongado Já o índice PMI de novembro, sobretudo no segmento de serviços, deverá ser negativamente influenciado pela ampliação das medidas de distanciamento social na região.

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