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Agenda Econômica Semanal – 23 a 29 de janeiro de 2023 : Semana é marcada IPCA-15 no Brasil e PIB nos EUA

Na agenda econômica doméstica desta semana, destaque para a prévia da inflação (IPCA-15) de janeiro, que deve sinalizar continuidade do processo de desinflação. O IPCA-15 de janeiro (terça-feira) deve desacelerar de 0,52% para 0,49%, com pressão ainda dos alimentos. Na outra ponta, os preços dos combustíveis devem seguir acomodando (queda dos preços nas refinarias), enquanto as passagens aéreas devem mostrar descompressão após a alta em função do período de férias. Do lado ascendente, destaque para o encarecimento de itens de higiene pessoal e bens duráveis, revertendo o movimento das promoções do Black Friday em novembro. As despesas pessoais também devem avançar. Do lado descendente, destaque para passagens aéreas, alimentos in natura, combustíveis e energia elétrica. O INCC de janeiro (quinta-feira) deve acelerar de 0,27% para 0,66% (M/M). Destaque para o reajuste salarial dos trabalhadores da construção civil em Belo Horizonte.  Ainda no âmbito da inflação, os agentes devem continuar acompanhando as importantes discussões sobre a possibilidade do aumento da meta de inflação (inclusive para os anos de 2024 e 2025, cuja meta já foi definida em 3,0%), que ajudaram a manter a deterioração das expectativas de inflação, como pode ser visto no boletim Focus divulgado hoje pelo Banco Central, além de elevarem os juros futuros na última semana.

A semana também traz outros indicadores importantes, como o resultado fiscal do governo central de 2022, as sondagens de confiança da FGV e os números do setor externo. O Tesouro divulga o resultado do governo central de dezembro (sexta-feira), cuja expectativa é de superávit de R$ 1,5 bi no mês, encerrando 2022 com superávit primário de R$ 53,5 bi (0,5% do PIB), o primeiro após oito anos seguidos de déficits, beneficiado pelo forte crescimento da arrecadação. Neste sentido, a Receita Federal divulgará o resultado da arrecadação de dezembro também nesta semana, que deve mostrar alta real de 8,2% em 2022,  com a arrecadação federal devendo aumentar de R$172,0 bi para R$215,8 bi. Já a FGV publica as sondagens de confiança (consumidor, construção e indústria) de janeiro, que ajudarão o mercado a calibrar o ritmo da economia neste início de ano. Quanto às contas externas, o BC informa (quinta-feira), o resultado da balança de transações correntes de dezembro, mês tipicamente negativo em função da remessa de lucros ao exterior. No ano, o déficit deve ficar em US$ 45,0 bi, ainda em situação confortável, bem abaixo da entrada de investimento direto (IDP), que deve ter superado US$ 80 bi.

Ao longo da semana, o Ministério do Trabalho e Emprego deve divulgar o saldo de empregos formais (CAGED) de dezembro. Nossa estimativa é que ocorra saldo de -307 mil vagas, refletindo a sazonalidade fraca para o emprego de dezembro, especialmente no comércio. Com isso, no acumulado em 12 meses, o saldo deve desacelerar de 2,9 milhões de vagas em 2021 para 2,2 milhões em 2022.

No cenário internacional, destaque para o resultado do PIB norte-americano do 4º trimestre de 2022 (quinta-feira), e que deve seguir em crescimento, apoiado na resiliência do consumo das famílias, porém em desaceleração. O consenso do mercado projeta alta anualizada de 2,7% (ou 0,7% na margem) no trimestre, abaixo do observado no 3T22, quando cresceu 3,2% (ou 0,8%). Caso o resultado se confirme, o PIB dos EUA terá crescido 2,1% em 2022 (ante +5,9% em 2021 e -4,6% em 2020), superando a última estimativa do FMI (+1,6%). Para 2023, contudo, as perspectivas são bem mais modestas. Por ora, o mercado ainda espera algum crescimento, estimado em 0,4% (consenso Bloomberg), embora a probabilidade de uma recessão esteja subindo, diante dos efeitos negativos do aumento das taxas de juros promovido pelo Fed para conter a inflação.

Durante a semana também serão conhecidos diversos outros indicadores de atividade nos EUA e na Zona do Euro, que devem manter a preocupação com uma possível recessão global. Na terça-feira serão conhecidas as prévias de janeiro dos índices PMIs da indústria e dos serviços, para ambas as regiões, que devem seguir abaixo do nível neutro (50 pts), sugerindo contração da atividade. Ainda nos EUA, os outros destaques da semana serão as divulgações, na sexta-feira, dos dados de renda e gastos pessoais, além do índice de preços PCE (deflator dos gastos pessoais), todos referentes ao mês de dezembro. Na Ásia, em função do ano novo chinês, as bolsas do país permanecerão fechadas ao longo da semana.

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