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Agenda Econômica Semanal – 23 a 29 de agosto de 2021

Inflação e indicadores de atividade econômica serão destaques na agenda local

 

O IPCA 15 de agosto deverá mostrar alguma descompressão, mas núcleos devem se manter com dinâmica desfavorável, indicando que os desafios à política monetária continuam no radar. Nossa expectativa é de que a prévia oficial da inflação (quarta-feira) deva acelerar de 0,72% para 0,77%, puxado por alimentação no domicílio, com destaque para os “in natura”, impactados pelas condições climáticas adversas. Além disso, a leitura de agosto também deve expressar a alta dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha, pressionados pelos novos reajustes da Petrobrás, e da energia elétrica, que segue acumulando reajustes em função da grave seca no país. Além disso, a maior reabertura da economia deve seguir permitindo um maior repasse dos preços do atacado para o consumidor, especialmente no setor de serviços, que já vem ganhando força e sendo uma fonte adicional de atenção. Assim, o cenário inflacionário deve seguir preocupando o mercado, validando a necessidade de uma postura firme do Copom na condução da política monetária. O INCC de agosto (quinta-feira) deve desacelerar de 1,24% para 0,67%, refletindo a dissipação dos impactos dos reajustes salariais dos trabalhadores do setor da construção civil.

No decorrer da próxima semana, a FGV divulgará as sondagens do consumidor e da indústria, relativas a agosto, que deverão apontar continuidade do processo de recuperação da confiança. Na quarta-feira, a instituição deve publicar a confiança do consumidor. Na sexta-feira, conheceremos o dado sobre a confiança da indústria.

Na sexta-feira, o Ministério do Trabalho e Emprego deve publicar o saldo de empregos formais (CAGED) de julho. Nossa estimativa é que ocorra saldo de 280 mil vagas, o que, se confirmado, representará o 7º saldo positivo seguido. A expectativa é que a maior reabertura das atividades siga impulsionando as contratações, especialmente dos setores mais dependentes do fluxo de pessoas, como comércio e serviços, mantendo a trajetória positiva de recuperação do mercado formal de trabalho.

Na semana, a arrecadação federal de julho deve mostrar aumento de R$137,7 bi para R$162,4 bi, dando continuidade ao impacto positivo das pressões inflacionárias sobre a base da arrecadação e ao impulso da desvalorização cambial para os tributos relacionados ao comércio exterior (imposto sobre a importação e sobre produtos industrializados). Se nossa estimativa for confirmada, isso representará avanço de 28,5% (YoY), em termos reais. Na sexta-feira, o resultado primário do governo central deve sair de –R$73,6 bi para –R$26,8 bi em julho, com um volume menos expressivo de gastos com a antecipação do 13º de benefícios previdenciários. Adicionalmente, as Receitas Líquidas deverão manter avanço interanual de dois dígitos, ainda refletindo o efeito da base deprimida de 2020, contribuindo positivamente para o saldo nesta leitura.

O BC, por sua vez, reportará as notas à imprensa de crédito e do setor externo. Segundo pesquisa da Febraban, a carteira total de crédito deve crescer 1,3% no mês, mantendo o ritmo de expansão anual estável em 16,3%, um patamar bastante elevado. O resultado deve refletir uma elevação da mesma magnitude da carteira PJ e PF (ambas de 1,3%), no caso da carteira PJ, beneficiada pela reedição do Pronampe. Em geral, os resultados devem seguir sinalizando uma oferta de crédito robusta, o que tem contribuído para a retomada da atividade. A expectativa é que o avanço da vacinação e a maior reabertura da economia ajudem a manter o bom dinamismo do crédito ao longo do 2º semestre, embora com alguma acomodação das taxas de expansão.

Para o resultado da balança de transações correntes de julho, nossa expectativa é de um déficit de US$ 300 milhões no mês, pouco menor que o déficit de US$ 600 mi registrado em jul/20. O superávit comercial deve se manter expressivo, liderado pelo bom desempenho das exportações (em especial das commodities), mas, o resultado do mês é impactado por questões sazonais, como o pagamento de cupom aos estrangeiros detentores da dívida pública, o que pressiona o resultado da balança de renda primária. Além disso, o aumento do envio de lucros para o exterior em resposta à retomada econômica e algum aumento dos gastos com viagens internacionais, também podem pressionar os déficits das balanças de renda e serviços, respectivamente. Em 12 meses, o déficit externo acumulado deve ficar praticamente estável, em US$ 19,3 bi, com sinais de acomodação do movimento de ajuste das contas externas. A expectativa para o ingresso de investimento externo (IED), por sua vez, é de US$ 4,6 bi, se mantendo abaixo do registrado em jul/20 (US$ 5,2 bi).

No cenário global, destaque para o simpósio anual Jackson Hole. O encontro ocorrerá entre os dias 26 e 28. As atenções nesse importante fórum de discussões sobre a política monetária global estarão voltadas para eventuais sinalizações por parte de Jerome Powell. No encontro de 2020 o presidente do Fed anunciou um novo arcabouço de política monetária, com a implementação de uma meta de inflação média. Desdobramentos geopolíticos e evolução da pandemia também continuarão no radar.

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