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Agenda Econômica Semanal – 22 a 28 de maio de 2017

Agenda econômica tem IPCA-15 de maio reiterando desinflação em curso, mas mercado estará em alerta à crise política

Com o risco de saída de Temer concentrando as atenções, a agenda da semana, que traz IPCA-15 como um dos destaques, deve ficar em segundo plano. Mas o mercado monitora a ação conjunta do Banco Central e do Tesouro para reduzir a volatilidade nos negócios com os leilões extraordinários de swap cambial e de títulos.

 Em linha com o indicado pelos indicadores de inflação divulgados ao longo da semana passada, o resultado do IPCA-15, que será conhecido nesta terça-feira, deverá mostrar que o processo de desinflação segue em curso. O índice de maio deve ter variação estável em 0,21%. De um lado, os destaques serão a deflação da Passagem aérea, da Gasolina e da Energia elétrica. De outro, o encarecimento da Batata e dos alimentos “in natura” devem pressionar. Com isso, a alta do IPCA em doze meses chegará a 3,7%, atingindo o menor patamar desde julho de 2007. Na sexta-feira, o INCC deve acelerar de –0,08% para 0,13%. A elevação dos custos com a mão de obra na construção civil, refletindo os efeitos iniciais dos reajustes salariais em Brasília e Salvador, deverá ser o vetor do movimento.

Esta semana conheceremos também os dados das contas externas referentes a abril (terça-feira), que segundo nossas estimativas deverão mostrar superávit em transações correntes de R$ 5 bilhões e investimentos diretos no país de R$ 1,6 bilhão. Além disso, o relatório de despesas e receitas do 2º bimestre de 2017 será publicado pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira. Ao longo da semana, teremos a divulgação da arrecadação federal impostos e contribuições em abril. Estimamos aumento de R$99 bilhões para R$119,3 bilhões, em razão da elevação sazonal decorrente do recolhimento do imposto de renda. Se confirmado, o crescimento anual na arrecadação será de 3,3%. O resultado do governo central deve melhorar na margem, ao passar de –R$11,1 bilhões para R$ 6,9 bilhões. O aumento sazonal das receitas causado pelo recolhimento do Imposto de renda PF ajuda a explicar nossa expectativa. Todavia, o resultado ficará abaixo do verificado em abril de 2016 (R$9,8 bi).

As sondagens da FGV sobre a confiança referentes a maio serão conhecidas no decorrer da semana. Para segunda-feira, está prevista a divulgação da prévia da confiança da indústria. Os dados finais das demais sondagens sairão na quarta-feira (Consumidor), na quinta (Comércio) e na sexta (Construção). Por fim, o Banco Central divulgará na quinta-feira a nota de crédito referente a abril.

Crise Política Brasil: apesar de o presidente Michel Temer repetir desde quinta-feira o mantra “não renuncio”, o cenário doméstico é de perplexa incerteza. Acreditamos que não haverá chance de a reforma da Previdência andar por enquanto e que a volatilidade nos mercados locais deve continuar. Temer procura ganhar sobrevida, mas os sinais são de que sua situação é frágil. O presidente tentou marcar um jantar com parlamentares ontem, mas diante da percepção de que haveria baixo quórum acabou recebendo os aliados em reunião informal. No Palácio da Alvorada Temer reiterou que “vai ficar até o fim” e que “não vai ceder às pressões”. E as pressões só devem aumentar. As cúpulas do PSDB e do DEM decidiram aguardar pelo julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de suspensão do inquérito contra o presidente, na quarta-feira, para decidir se mantêm ou retiram o apoio ao governo, mas já estariam avaliando a escolha de um nome de consenso para substituir Temer caso a situação fique insustentável e haja eleição indireta. Temer será investigado no STF por suspeita de crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e obstrução de Justiça. E o presidente já perdeu o apoio formal de PSB e PPS, e tem nove pedidos de impeachment contra ele. O próximo será o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que por 25 votos a um decidiu no fim de semana pedir pela saída de Temer. O pedido deve ser protocolado na Câmara até terça ou quarta-feira mesmo se o STF anular o inquérito. E a ofensiva do governo já começa hoje com o desbloqueio de despesas do orçamento, entre R$ 2 bilhões e R$ 5 bilhões, e a edição de duas novas MPs permitindo o parcelamento de dívidas do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) e outra de débitos não tributários das empresas com autarquias, fundações e órgãos do governo.

Na agenda internacional, nesta quarta-feira, será publicada a ata da reunião do Fed de abril que, em linha com o comunicado divulgado após a decisão, deverá detalhar a expectativa de que o crescimento continua moderado apesar da frustração com o desempenho do primeiro trimestre. Na terça-feira, teremos as informações preliminares dos índices PMI da Alemanha e da Área do Euro, que serão importantes para verificar se os primeiros resultados de maio confirmam o fraco desempenho de abril. Os países membros da Opep podem decidir, em reunião marcada para quinta-feira, por um prolongamento do acordo de corte de produção, como já foi defendido pela Arábia Saudita e pela Rússia. Além disso, serão divulgadas as segundas leituras dos PIB do Reino Unido, na quinta-feira, e dos Estados Unidos na sexta-feira.

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