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Agenda Econômica Semanal – 22 a 28 de agosto de 2022 : Agenda doméstica tem prévia da inflação e dados do mercado de trabalho, com exterior esvaziada

Na agenda econômica, o destaque da semana será a prévia da inflação de agosto, o IPCA-15 (terça-feira), que deve ir para o terreno negativo, ao sair de 0,13% para –0,75%. Entre os vetores que sustenta a deflação esperada, destaque para os combustíveis e a energia elétrica. O indicador capta basicamente os efeitos da redução de impostos (em especial, do ICMS) sobre combustíveis e energia. No caso dos combustíveis, estes também devem ser beneficiados pela redução de preços anunciada pela Petrobras (para as refinarias). Também devem contribuir para o movimento, vestuário, saúde e alimentação. Além disso, diante das alterações de ICMS, serviços de comunicação também podem apresentar ligeiras quedas. Além destes, os preços dos bens industriais também devem arrefecer, diante da descompressão dos preços das commodities no mercado internacional e da melhora dos gargalos logísticos. Assim, a perspectiva é de que o indicador mostre sinais benignos, reforçando as condições para o fim do ciclo de alta da Selic. A preocupação, contudo, segue com os preços dos serviços, que devem se manter em alta.

Ainda sobre inflação, o INCC de agosto (sexta-feira) deve desacelerar de 1,16% para 0,45% devido à dissipação dos reajustes salariais dos trabalhadores da construção civil e a tendência de menor pressão nos preços de materiais e serviços da construção civil.

As atenções da semana também estarão voltadas para a divulgação do Caged (quinta-feira) que traz os números do mercado formal de trabalho de julho. A expectativa é de geração líquida de 202 mil vagas no mês, mantendo a tendência de uma recuperação robusta do emprego, podendo sugerir uma acomodação mais branda da atividade no 2º semestre.

Por fim, a FGV divulgará as sondagens do consumidor e da construção civil referentes a agosto, que podem apontar desaceleração da atividade econômica.

Na sexta-feira, a Aneel definirá a bandeira tarifária de energia elétrica de setembro, que deve permanecer em verde.

A arrecadação federal de julho deve subir de R$181 bilhões para R$195,5 bilhões. Se nossa estimativa for confirmada, haverá alta, em termos reais, de 3,7% (YoY). Os destaques deverão ser a arrecadação de IR, CSLL e receita administrada por outros órgãos, favorecida pelo recolhimento de participações referente à exploração do petróleo.

No exterior, a agenda está esvaziada, com destaque para indicadores de atividade. Nos EUA, um dos principais destaques da semana será a realização do Simpósio Econômico do FED em Jackson Hole, entre os dias 25 e 27. O presidente do FOMC, Jerome Powell, fará a sua participação no dia 26, sexta-feira. A fala de Powell será bastante importante para que o mercado possa alinhar suas expectativas em relação a condução da política monetária no EUA. A fala de Powell no press release após a última decisão de política monetária foi considerada dovish, o que não foi corroborado por outros dirigentes posteriormente. Assim, Powell poderá corrigir o tom de sua comunicação, elevando as preocupações com a inflação, caso julgue ser necessário. Além nisso, N. Kashkari discursa na terça-feira, dirigente que mostrou grande preocupação com a dinâmica da inflação recentemente. Em termos de indicadores de inflação, teremos, também na sexta-feira, a divulgação do índice de preços PCE referente ao mês de julho. Esse, que é o indicador preferido do FOMC para a política monetária, apontou para inflação de 6,8% em junho. Já em julho, a redução dos preços da gasolina deve ter contribuído para uma inflação menor. Assim, será importante acompanhar a evolução do núcleo de PCE, pois esse exclui a influência de combustíveis e alimentos, item considerados mais voláteis.

Na Área do Euro, destaque a divulgação da Ata da última reunião de política monetária (quinta-feira). Em que pese o BCE tenha deixado em aberto o próximo movimento dos juros básicos, o documento pode dar alguma sinalização adicional sobre qual o caminho mais provável de ser seguido na próxima reunião. Além disso, o BCE pode trazer algum detalhamento adicional sobre a ferramenta para conter a fragmentação das taxas de juros dos títulos soberanos do bloco (TPI).

 

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